terça-feira, março 18, 2008

PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO

Venho recebendo perguntas sobre a legitimidade moral, na perspectiva cristã, das pesquisas com o uso de células-tronco.
Uma delas é esta:

"Olá, pastor Israel, eu vi seu blog e sua pesquisa acerca da questão das células-tronco embrionárias e gostaria de saber sua opinião. Utilizá-las seria interromper a vida ou não?
Para mim, este assunto ainda possui um aspecto singular: sou graduando do quarto período (tenho 20 anos de idade) de Biomedicina e sou támbem um cristão; trabalho atualmente em um laboratório de pesquisas com células-tronco adultas. Com a liberação do projeto, estaria fortemente inclinado a trabalhar com as células-tronco embrionárias.
Pela Bíblia, eu poderia ser considerado um assassino? e minha salvação estaria em prejuízo? pois a Bíblia diz que os assassinos não herdarão o Reino dos Céus".

Eu respondi:

"Tenho recebido perguntas neste sentido e continuo estudando o assunto.
Nao temos como derivar da Biblia uma orientação segura (no sentido de não questionavel), uma vez que o assunto nao é tratado expressamente por ela.
Precisamos derivar princípios, mas, até neste caso, precisamos definir: o que é um ser humano? Que há vida num embrião, há, mas esta, penso, não é a pergunta, que deve ser: o que é um ser humano? Talvez você, por sua formação em formação, possa responder a esta pergunta melhor que eu? Se um embrião já é um ser humano, deve ser preservado; se AINDA não é, pode ser usado para, eventualmente, salvar (ou melhorar a qualidade de) vida. Para mim, esta preliminar define o resto."

Repito: continuo estudando o assunto.

9 comentários:

wesksiley disse...

Mais uma vez o Pr. Israel está de parabéns, pois foi honesto com o nosso irmão. Ao contrário de muitos que querem inventar respostas, que por conseguinte podem trazer mais confusão ainda na cabeça dos outros, foi mais prudente e honesto o Pr. se posicionar desta forma.

Marcio disse...

Penso que essa questão sobre o início da vida perpassa por uma série de fatores. Admiro muito a postura do Pastor Israel em ser franco sobre a legitimidade ou não, das pesquisas com célula-tronco embrionárias. Porém, venho trazer uma questão prática: quantos irmãos nossos, hoje, sofrem com algum tipo de doença que poderiam ter a sua história de vida mudada por estas pesquisas? Honestamente, não consigo imaginar a vida de um irmão na fé ou de um familiar tendo menos importância do que um embrião em vitro, sem possibilidade de gerar vida, que será irremediavelmente descartado. A pergunta que faço, é esta: A vida de uma pessoa é menos importante do que o embrião sem possibilidade de gerar vida?
Sim à pesquisa com células-tronco embrionárias!!!!

Ricardo disse...

Olá Pastor Israel.
Agradeço pela atenção e rapidez com que me respondeu e me desculpo pela minha demora em responde-lo.

Concordo com o senhor quando diz "Se um embrião já é um ser humano, deve ser preservado; se AINDA não é, pode ser usado para, eventualmente, salvar (ou melhorar a qualidade de) vidas."

Para mim a questão das células tronco embrionárias é bem clara e não se detém no fato de utilizá-las ou não.
Na verdade o que se discute hoje é um assunto filosófico-cultural-religioso ( bem mais profundo) o qual é : QUE MOMENTO CONSIDERAMOS COMO O INÍCIO DE UMA VIDA.

Daí surgem algumas proposições:

1 - A cultura ocidental considera como o ínicio da Vida humana o momento do encontro do óvulo com o espermatozóide (fecundação ) . Se assim for considerado ( infelizmente em minha opinião) a igreja Católica Apostólica Romana possui a posição mais correta.
*Pois qualquer método contraceptivo seja camisinha, pílula anticoncepcional... estaria evitando a possível formação já de uma vida .
*Qualquer método pós fecundação ( seja uso da "pílula do dia seguinte" seria considerado abortivo ).
*Qualquer método de inseminação artifical seria criminoso uma vez que neste método vários óvulos são fecundados artificalmente e uns poucos embriões são colocados no útero para que possam se desenvolver e os outros saõ congelados indefinidamente ( interrompendo assim o desenvolvimento de uma vida).
*E FINALMENTE O USO DAS CÉLULAS TRONCO EMBRIONÁRIAS nosso assunto em questão seria a interrupção da Vida.

2 - Por outro lado se caso a fecundação não for considerada o momemento em que se inicia A VIDA a questão das células tronco não passaria de uma matéria de Manipulação de Células ( isto é não seria considerada uma vida).
É importante salientar no entanto que em outras culturas e mesmo por correntes no meio científico A FECUNDAÇÂO não é considerada como O MOMENTO De INÌCIO DE UMA VIDA. Para algumas culturas o momento iniciador da vida é quando se forma ocoração, para alguns cientistas quando se forma o sistema nervoso....

3 - Para Ciência em termos bem gerais a fecundação nada mais é nada que o encontro de duas células onde cada uma possui metade do material hereditário necessária pra formação de um outro ser da mesma espécie e dessa união surgirá um zigoto (ou embrião) que não passa de uma célula quem contém em si a potencialiade ( genética , bioquímica..) de se tornar uma vida MAS QUE AINDA NÃO È UMA VIDA.

Conclusão:
Para Ciência é muito pouco provável que esta possa um dia dizer o MOMENTO QUE PODE SER COSIDERADO COMO O INÍCIO DE UMA VIDA. Por isso considero este assunto fora da alçada da Ciência e muito mais uma questão filosófica-cultural-religiosa.

Minha opinião:
Devido a esta impossibilidade da ciência e a potencialidade de que os estudos com células tronco embrionárias possam trazer o alívio ou cura para doenças hoje consideradas incuráveis é que EU particularmente sou a favor da pesquisa com célulasTronco.

barb michelen disse...
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Felipe Fanuel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Felipe Fanuel disse...

Esse assunto esbarra no problema ético da alteridade.

Quando se fala de pesquisa com células-tronco, muito se diz de um embrião congelado in vitro, mas pouco se atenta para uma outra pessoa in vita.

Do mesmo jeito, quando se fala em aborto, muito se diz de um feto, em formação, que ainda não nasceu, mas pouquíssimo se atenta para uma outra pessoa, mulher, que pode morrer numa gravidez de risco.

Células-tronco e aborto, portanto, revelam a nossa maneira de enxergar o outro. O foco passa do embrião para o enfermo, do bebê em formação para a mãe.

Responder afirmativamente às pesquisas é, portanto, um caminho aberto para se discutir a urgente necessidade da legalização do aborto no país. Afinal, se a gente é capaz de pensar na cura de um doente, por que não pensar na vida de uma grávida?

Hilton Ribeiro disse...

Pastor Israel parabéns pelo seu posicionamento, grandioso diante de um assunto que ainda deve ser muito estudado.
Pensar antes de se expressar é o que buscamos sempre tendo jesus Cristo com exemplo.
Sou leitor recente de seus estudos e comentários e já o adimiro muito.
Hilton Ribeiro, membro da PIB de Vilar dos Teles,SJM.
VITE MEU MEU BLOG SE POSSÍVEL
http://discutindoavida.blogspot.com

prazer de ler disse...

Recebi da pesquisadora Mayana Zatz a seguinte correspondência, em resposta ao envio do texto "DIANTE DAS CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS"

"Prezado Israel

Li o seu texto e confesso que além de me impressionar por sua excelência ele me emocionou e MUITO. Só achei um erro de menor importância: cultura sérica ( de soro) e não cérica ( de cera).
Gostaria de esclarecer alguns pontos. Os cientistas que foram ao STF ou têm escrito contra as pesquisas são todos ligados a Igreja católica e ao invés de confessá-lo usam argumentos científicos distorcidos e errados. Por exemplo, não é verdade que o projeto Genoma Humano não trouxe resultados. Ele já tem uma aplicação prática enorme no diagnóstico de inúmeras doenças (evitando exames invasivos e dolorosos), na identificação de casais em risco de virem a ter filhos afetados e na escolha de tratamentos para várias formas de cancer. As pesquisas sobre o genoma estão revolucionando a medicina numa área chamada farmacogenômica que é a resposta individual a drogas. Isso é só um pequeno exemplo. Eu poderia
escrever várias páginas a respeito.

Do mesmo modo, usam-se argumentos totalmente errados do ponto de vista científico no caso das pesquisas com células-tronco.

A minha equipe vem trabalhando há alguns anos com células-tronco adultas. Torço e Muito para que tenhamos resultados positivos com elas mas justamente quem pesquisa essas células, quem está no laboratório com a mao na ,massa ou tem contato dieto com os pacientes sabe quais são as limitações. Mas não podemos fexhar nenhuma porta, principalmente a da esperança.


Como você Israel, também temo e tremo pela responsabilidade e expectativa que geramos ao defender essas pesquisas. Mas existe uma Força que me empurra e que me diz: Não desista dessa luta!

O futuro dirá.

Deus o abençoe,Israel

Mayana"

EM TEMPO -- Já fiz a correção no texto. De igual modo, Mayana me autorizou tornar pública a mensagem eletrônica que me enviou.

margaret.borges disse...

Muito oportuna e feliz o tema escolhido como sermão de domingo. Acho que o pensar sobre a questão é muito importante. Devemos como cristãos estar atentos também ao que está ao nosso redor.
Eu ouvi de algumas pessoas que fazem parte do meu grupo familiar que nunca haviam pensado sobre o assunto , até ouvirem na igreja.
Eu, particularmente, dentro de meu limitado conhecimento sobre o assunto, acho que se esses embriões já não podem gerar vidas, se eles vão ser descartados, porque não ajudar outras vidas?
Enfim será que iremos ser de novo como os fariseus, e não identificarmos as questões mais importantes?