sábado, fevereiro 24, 2007

O SHOW NÃO PODE SER INTERROMPIDO

Não acredito que o papa e os cardeais, e, por inclusão, arcebispos e bispos, acreditem que haja de fato intercessão dos santos. Assim mesmo continuam canonizando e santificando homens e mulheres do passado, certamente pessoas de grande piedade. O sistema precisa continuar. Já imaginaram Aparecida do Norte sem a crença que a mãe de Jesus ascendeu aos céus e intercede por quem reza por intermédio dela?
Quanto a nós, não temos também as crenças em que não cremos, mas que mantemos, porque o "show" tem que continuar?
Também não acredito que os profetas da prosperidade creiam no que pregam, mas precisam continuar pregando, para que tenham suas igrejas cheias.
Mutatis mutandis, é a mesma coisa.

5 comentários:

Felipe Fanuel disse...

Professor,

Lembrei daquele filme Fé demais não cheira bem, porque mostra justamente um charlatão que acredita dar para as pessoas aquilo que elas querem: um show. Parece que os expectadores religiosos estão àvidos pela continuidade deste sistema, não desejando interrupções. Fazer o quê? Vivemos inventando e mantendo coisas difíceis para nós mesmos acreditarmos.

Um abraço.

Reginaldo Almeida disse...

É pastor, o que se dizer, já temos o nosso santo!

É incrível como nós seres humanos (e os católicos em particular) somos incapazes de alcançar a fé de forma direta e meritória.

Estamos sempre buscando um atalho, até para chegar a Jesus e o seu Pai. Os santos são os pistolões da fé.

"Oh santinho, quebra o galho ai, bate aquele papo com Jesus...". Diga-me se isso não parece aqueles parasitas do sistema, sempre buscando um político pra dar-lhe um emprego numa repartição?

As pessoas simplesmente não sabem o poder que possuem: o de ir a/e falar com DEUS quando quisermos, sem intermediários. Como são fracos, como aceitam passivamente (os brasileiros agora, até com júbilo) a dominação.

Os homens de pouca fé são os que tem fé nos santos. Precisam dar uma forma a DEUS. Precisam tornar DEUS humano. Dá-lhe bezerro de ouro!

Aqui no México então, é pior ainda. Não há uma loja (exceto a dos judeus), uma fábrica,uma estrada, que não possuam um altar edificado para a Virgem de Guadalupe.

A coisa chega ao cúmulo de que no ano passado, na romaria, uma mulher grávida de 9 meses deu à luz e atribuiu esse "milagre" à santa. Para abençoar o filho recém nascido, amaldiçou-o com o nome de Guadalupo Virginio...

E la barca va...

João disse...

Lembro-me de certa vez, em uma reunião na minha Igreja, quando trabalhava com os adolescentes, propor algumas mudanças. Como resposta, uma parcela se posicionou contrária. Eu perguntei o motivo e recebi a seguinte resposta: "É porque sempre foi assim."

Em outra ocasião, estava fazendo uma visita para uma amiga da Igreja Apostólica Fonte da Vida (A Renascer de Goiânia), quando a mãe dela havia chegado com um cajado e eu questionei do que se tratava. Como resposta, recebi a informação que tratava-se do "Cajado de Moisés" que ela havia recebido na Igreja. Como esta irmã tinha um imóvel que a tempos não alugava, tinha ido bater nele com o cajado de Moisés. Ela veio a alugar o imóvel tempo depois e tem toda certeza que só o conseguiu graças ao Cajado de Moisés. Ela sempre se recusou a ir visitar a Igreja Batista pois esta, para ela, parece muito com a Igreja Católica.

Ainda bem que não sou católico e nós, protestantes, não damos valor nesse sistema de amuletos...

Fábio disse...

Além dos profetas da prosperidade, vejo no meio batista muitos professores e pastores embriagados pelo orgulho acadêmico, trocando a Palavra de Deus por Rudolf Bultmann e Cia., tornando-se verdadeiros ateístas. Que pena!

ATAUALPA disse...

Discordo veementemente do comentá-
rio do missivista Fábio, quando diz
que os pastores batistas estão em-
briagados com o saber. Nós, os ba-
tistas, embora não sejamos salvos
por sermos batistas, no entanto
prezamos o estudo sistemmático das
sagradas letras e, se todos os cha-
mados "evangélicos" também tivessem
essa preocupação, haveriam menos
charlatões usando o evangelho como
moeda de troca. Somos bereanos sim,
e isso muito nos orgulha. Siga esse
exemplo, senhor Fábio.