quarta-feira, abril 23, 2008
KARL BARTH, AO SE APOSENTAR
Ao se aposentar em 1963, Karl Barth recordou seu conselho oferecido aos jovens teólogos 40 anos antes:
"Pegue sua Bíblia e pegue seu jornal. Leia os dois, mas interprete os jornais a partir da Bíblia.
No mesmo dia, conversando com estudantes, acrescentou:
"Eu sempre oro pelos doentes, pelos pobres, pelos jornalistas, pelas autoridades do Estado e pela igreja -- nesta ordem.
As pérolas estão na revista Time, de 31 de maio de 1963.
Para conferir, acesse a revista Time.
"Pegue sua Bíblia e pegue seu jornal. Leia os dois, mas interprete os jornais a partir da Bíblia.
No mesmo dia, conversando com estudantes, acrescentou:
"Eu sempre oro pelos doentes, pelos pobres, pelos jornalistas, pelas autoridades do Estado e pela igreja -- nesta ordem.
As pérolas estão na revista Time, de 31 de maio de 1963.
Para conferir, acesse a revista Time.
sexta-feira, abril 11, 2008
BEBÊS PARA SEREM QUEIMADOS
Carlos Heitor Cony (Folha de S. Paulo, de 11.4.2008, ilustrada -- disponível para assinantes) resenha o livro "Babies for Burning" (Londres: Serpentine Press), em que Michel Litchfield e Susan Kentish entrevistam um médico de uma clínica de abortos na Inglaterra.
Em um dos trechos, o médico diz:
"Fazemos muitos abortos tardios, somos especialistas nisso. Faço abortos que outros médicos não fazem. Fetos de sete meses. A lei [inglesa] estipula que o aborto pode ser feito quando o feto tem até 28 semanas. É o limite legal. Se a mãe está pronta para correr o risco, eu estou pronto para fazer a curetagem. Muitos dos bebês que tiro já estão totalmente formados e vivem um pouco antes de serem mortos.
Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador porque tinham muita gordura que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocadas numa incubadeira poderiam sobreviver, mas isso aqui não é berçário.
Não sou uma pessoa cruel, mas realista. Sou pago para livrar uma mulher de um bebê indesejado e não estaria desempenhando meu oficio se deixasse um bebê viver. E eles vivem, apesar disso, meia hora depois da curetagem. Tenho tido problemas com as enfermeiras, algumas desmaiam nos primeiros dias."
Algum comentário?
Em um dos trechos, o médico diz:
"Fazemos muitos abortos tardios, somos especialistas nisso. Faço abortos que outros médicos não fazem. Fetos de sete meses. A lei [inglesa] estipula que o aborto pode ser feito quando o feto tem até 28 semanas. É o limite legal. Se a mãe está pronta para correr o risco, eu estou pronto para fazer a curetagem. Muitos dos bebês que tiro já estão totalmente formados e vivem um pouco antes de serem mortos.
Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador porque tinham muita gordura que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocadas numa incubadeira poderiam sobreviver, mas isso aqui não é berçário.
Não sou uma pessoa cruel, mas realista. Sou pago para livrar uma mulher de um bebê indesejado e não estaria desempenhando meu oficio se deixasse um bebê viver. E eles vivem, apesar disso, meia hora depois da curetagem. Tenho tido problemas com as enfermeiras, algumas desmaiam nos primeiros dias."
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terça-feira, março 18, 2008
PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO
Venho recebendo perguntas sobre a legitimidade moral, na perspectiva cristã, das pesquisas com o uso de células-tronco.
Uma delas é esta:
"Olá, pastor Israel, eu vi seu blog e sua pesquisa acerca da questão das células-tronco embrionárias e gostaria de saber sua opinião. Utilizá-las seria interromper a vida ou não?
Para mim, este assunto ainda possui um aspecto singular: sou graduando do quarto período (tenho 20 anos de idade) de Biomedicina e sou támbem um cristão; trabalho atualmente em um laboratório de pesquisas com células-tronco adultas. Com a liberação do projeto, estaria fortemente inclinado a trabalhar com as células-tronco embrionárias.
Pela Bíblia, eu poderia ser considerado um assassino? e minha salvação estaria em prejuízo? pois a Bíblia diz que os assassinos não herdarão o Reino dos Céus".
Eu respondi:
"Tenho recebido perguntas neste sentido e continuo estudando o assunto.
Nao temos como derivar da Biblia uma orientação segura (no sentido de não questionavel), uma vez que o assunto nao é tratado expressamente por ela.
Precisamos derivar princípios, mas, até neste caso, precisamos definir: o que é um ser humano? Que há vida num embrião, há, mas esta, penso, não é a pergunta, que deve ser: o que é um ser humano? Talvez você, por sua formação em formação, possa responder a esta pergunta melhor que eu? Se um embrião já é um ser humano, deve ser preservado; se AINDA não é, pode ser usado para, eventualmente, salvar (ou melhorar a qualidade de) vida. Para mim, esta preliminar define o resto."
Repito: continuo estudando o assunto.
Uma delas é esta:
"Olá, pastor Israel, eu vi seu blog e sua pesquisa acerca da questão das células-tronco embrionárias e gostaria de saber sua opinião. Utilizá-las seria interromper a vida ou não?
Para mim, este assunto ainda possui um aspecto singular: sou graduando do quarto período (tenho 20 anos de idade) de Biomedicina e sou támbem um cristão; trabalho atualmente em um laboratório de pesquisas com células-tronco adultas. Com a liberação do projeto, estaria fortemente inclinado a trabalhar com as células-tronco embrionárias.
Pela Bíblia, eu poderia ser considerado um assassino? e minha salvação estaria em prejuízo? pois a Bíblia diz que os assassinos não herdarão o Reino dos Céus".
Eu respondi:
"Tenho recebido perguntas neste sentido e continuo estudando o assunto.
Nao temos como derivar da Biblia uma orientação segura (no sentido de não questionavel), uma vez que o assunto nao é tratado expressamente por ela.
Precisamos derivar princípios, mas, até neste caso, precisamos definir: o que é um ser humano? Que há vida num embrião, há, mas esta, penso, não é a pergunta, que deve ser: o que é um ser humano? Talvez você, por sua formação em formação, possa responder a esta pergunta melhor que eu? Se um embrião já é um ser humano, deve ser preservado; se AINDA não é, pode ser usado para, eventualmente, salvar (ou melhorar a qualidade de) vida. Para mim, esta preliminar define o resto."
Repito: continuo estudando o assunto.
sábado, março 01, 2008
COMEÇOU O SEGUNDO TEMPO DA VIDA DO PASTOR XAVIER
Reproduzo aqui o texto publicado no Jornal Batista, de 2.3.2008. Este contém alguns acréscimos, no segundo parágrafo.
COMEÇOU O SEGUNDO TEMPO DA VIDA DO PASTOR XAVIER
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
Depois de dezoito meses em que, junto com sua família e com o apoio de sua igreja e de comunidade de amigos, lutou contra o câncer no peritônio ("membrana que recobre as paredes do abdome e a superfície dos órgãos digestivos"), descansou o pastor Manoel XAVIER dos Santos Filho, há quase 17 anos na liderança da Igreja Batista Memorial da Tijuca, na cidade de do Rio de Janeiro. Ele tinha 52 anos e deixa a esposa, Clenir, com quem se casou em Curitiba, e os filhos Felipe, Luana e Fábio.
Xavier se converteu aos 17 anos de idade, tendo sido batizado pelo pastor Hélcio da Silva Lessa, na Igreja Batista Itacuruçá. Nesta igreja foi chamado para o Ministério Pastoral e recomendado ao Seminário Teológico do Sul do Brasil. Como parte de sua formação, atuou como seminarista na Igreja Batista de Cordovil (Rio de Janeiro, RJ). Depois de formado, serviu pioneiramente junto à população que construiu a hidrelétrica de Itaipu. Em seguida, foi, por quatro anos, pastor de jovens na Primeira Igreja Batista de Curitiba, pastoreada então por Marcílio Gomes Teixeira. Nesta mesma cidade, assumiu o pastorado da Igreja Batista do Bacacheri, onde conheceu Clenir, com quem se casou em 31 de maio de 1986. Após sua pós-graduação na Inglaterra (Spurgeon's College) e no País de Gales (Cardiff University), foi eleito para para a Memorial da Tijuca, onde, a partir de 31 de março de 1991, construiu uma igreja e um templo, erguido sobre o anterior à Rua Conde de Bonfim, 789 (Tijuca, Rio de Janeiro, RJ).
SUAS IGREJAS
Sobre cada uma das igrejas, pelas quais passou como seminarista e pastor, deixou um testemunho.
Sobre a Igreja Batista Itacuruçá, escreveu: "Foi a igreja onde se deu a minha conversão, através do clube bíblico que ali funcionava; a minha chamada para o Ministério que é a base da minha formação como crente em Jesus, isto devido a uma sólida e inesquecível Escola Bíblica Dominical. Preguei naquela igreja o meu primeiro sermão, e aqueles irmãos, acostumados a ouvirem o Pr. Hélcio Lessa, um grande expositor da Palavra de Deus, me ouviam atentamente e balançavam a sua cabeça me apoiando, ou talvez, tentando não dormir. (... ) Esta igreja suportou as minhas instabilidades, meus altos e baixos. Reconheceu a minha chamada para o Ministério, deu-me oportunidades para pregar nos cultos ao ar livre nas praças e para ajudar no trabalho dos presídios e ainda me ajudou financeiramente no curso no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. O Pastor Hélcio Lessa foi o meu pastor durante todos aqueles anos. (...) Aprendi ali que a igreja é um dos instrumentos de Deus para a conversão e a firmeza doutrinária, além de fonte das vocações.
Sobre a Igreja Batista de Cordovil, testemunhou: "Fiquei ali os dois últimos anos do Seminário. Uma igreja sólida doutrinariamente, pastoreada à época, pelo Pastor Jonas Lisboa. Uma igreja composta de gente simples, cujas casas estavam sempre abertas para receber. Fiz as minhas refeições dominicais, enquanto seminarista, nas casas de vários irmãos. (...) Muitos domingos almocei na casa do Pastor Jonas e de sua família. Com ele aprendi muito. As coisas práticas que não se aprende no seminário. Ele também é um excelente expositor da Palavra de Deus e um homem muito ciente de suas funções pastorais. (...) Aprendi ali a lidar com as diferenças, a viver um cristianismo mais simples, a ser mais humilde e compromissado com o Senhor. Aprendi ali que a igreja é um lugar de descoberta e desenvolvimento dos dons espirituais".
Sobre a Primeira Igreja Batista de Curitiba, anotou: "Ali foi a minha pós-graduação no pastorado. Aprendi na prática muitas coisas com o Pastor Marcilio e com os membros da PIB que me acolheram como filho. Na verdade fui verdadeiramente “adotado” pelo casal Sofonias e Janety, que substituíram os meus pais no meu casamento. A igreja é verdadeiramente uma família. Sempre experimentei isto por onde passei. Ali aprendi a importância do mentoreamento, quando esta prática nem existia. O pastor Marcilio pacientemente sentava comigo e me orientava em muitas áreas do ministério e a esposa dele, a irmã Helena, era a minha conselheira sentimental, uma vez que eu era um pastor solteiro. (...) Aprendi ali o valor do discipulado contínuo como compartilhamento de vida.
Sobre a Igreja Batista do Bacacheri, registrou: "Uma igreja muito querida. Quantas experiências eu tive ali. (...) A igreja do Bacacheri foi também muito paciente e amorosa comigo. Até hoje, passados tantos anos, ainda temos ali muitos amigos que deixamos. Gente que chegava junto.
Sobre a Igreja Batista Memorial da Tijuca, desabafou: "É a igreja da minha maturidade ministerial. Tenho aprendido muito nesta igreja. A igreja onde fiquei mais tempo como pastor até aqui. (...) Tem sido também uma igreja especial, porque tem sido a igreja com a qual tenho crescido através do sofrimento. A Memorial é uma igreja que tem sabido não apenas se alegrar comigo, mas também chorar. E como já choramos juntos. E como temos crescido juntos. Uma igreja que tem sido paciente comigo, me acolhido nas minhas enfermidades, sabido esperar o tempo de Deus com relação à minha saúde. Igreja que tem acolhido a minha família e nos oferecido todo o tipo de apoio que se pode imaginar, em especial, nestes últimos tempos. Às vezes não sei se sou eu que os pastoreio ou se são eles que me pastoreiam. Penso que são as duas coisas.
ENFERMIDADE
Em 2006, foi-lhe diagnosticado um câncer, que acabaria por levá-lo. Nesse período submeteu-se a algumas cirurgias. Em janeiro de 2007, pregou um dos sermões da Assembléia da Convenção Batista Brasileira em Florianópolis.
Em julho ele explicou, mesmo desejoso de tirar o foco da sua pessoa, a sua condição: "A minha situação atual é a seguinte: os tumores que ainda estão no abdômen são de um tipo raro, cujo tratamento é cirúrgico. O cirurgião que me operou entendeu que não deveria tentar tirar todas as lesões, especialmente da parte posterior, pois poderia colocar em risco a minha vida".
Surgiu a possibilidade de uma viagem aos Estados Unidos para a consulta a outro especialista. Contudo, "Após verificar os meus exames o cirurgião americano concluiu que eu não tinha o perfil para aquele tipo de tratamento, considerando que o câncer está avançado e poderia colocar em risco a minha vida. Ou seja, enquanto não surgir outro tratamento ou Deus não me curar, continuarei a viver muito bem, como disse Paulo, na completa dependência da graça de Deus".
A partir do dia 13 de setembro de 2007, informado pelos médicos que nada mais poderia ser feito para sua recuperação, reuniu sua família, sua igreja e seus amigos para se despedir. O prognóstico é que seu passamento se daria em poucos dias, por inanição. E ele decidiu ir para casa. No dia 15, reuniu os pastores no hospital e à noite promoveu um inesquecível culto de despedida em sua igreja, culto que o pastor Xavier considerou "maravilhoso", já que "pudemos contemplar a glória do Senhor dando-nos uma pequenina amostra de como será no céu, quando O veremos face a face".
CORRESPONDÊNCIA DE VIDA
Estive com ele no hospital. Com sua autorização, gravei suas falas. Estive várias outras vezes com ele. Que privilégio o meu. Ele me abencou na vida. Ele me abençoou na morte. Estive com ele no hospital no dia 16 de janeiro, quando ele falou longamente sobre oração (e eu não vou jamais esquecer). Estive em sua casa na sua última terça-feira entre nós, ele já muito fraco, dizendo-me um lânguido "oi, Belo", com um sorriso discreto. Poderia dizer muito sobre sua humildade, sobre sua fé, sobre sua esperança, mas ele falará melhor do que eu. Selecionei alguns de seus parágrafos, escritos neste tempo. Ainda bem que, que não era de escrever, escreveu. (Quem quiser pode ler a íntegra no sitio da igreja: www.ibmt.org.br. Sobre outras anotações sobre sua enfermidade, acesse meu blog em www.prazerdapalavra.com.br).
No dia 16 de setembro, depois de ter recebido o diagnóstico de que não havia mais o que ser feito, escreveu, despedindo-se: "Se nada de novo acontecer, esta será a minha última pastoral para vocês. Quero que saibam que eu os amo profundamente e me sinto realizado de poder ter trabalhado com vocês ao longo desses tempos. Deus tem sido fiel para comigo em todas as coisas, mui especialmente, permitindo que eu pudesse me despedir de vocês, e aproveitar para encorajá-los a continuarem firmes no Senhor, sempre abundantes na Sua obra, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. Acabei de conversar mais uma vez com toda a minha família, há alguns minutos atrás. Que privilégio. Pude dar a todos a última orientação que estava no meu coração. Estou em perfeita paz, pronto para encontrar o meu Salvador, a quem tive o maior privilégio de servir. Saibam que estarei aguardando cada um de vocês lá. Mas, não tenham pressa. A vida aqui é muito preciosa também".
No dia seguinte, reafirmou, no seu elevado senso de humor: "Não se assustem. Esta pastoral não é do além. (... )Eu a escrevi às 21 h de domingo. Sei que posso acordar curado, mas se isto não acontecer, acredito que talvez já possa estar com o Senhor, pois começo a me sentir fraco. Caso esteja aqui ainda, durante os próximos dias..., de qualquer forma, esta é a minha última palavra a vocês". Em seguida, acrescentou: "Quando nós morremos, em Cristo, temos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente com Ele para um relacionamento ainda mais pessoal. Foi isto que Deus fez com João através do Apocalipse. Mostrou a ele, em meio ao seu sofrimento todas as coisas que ele iria experimentar. Vou experimentar todas aquelas bênçãos. E espero encontrar cada um de vocês lá..."
Neste processo, Felipe, um de seus filhos, contraiu uma inexplicável enfermidade e teve que ser hospitalizado. A reação de Xavier foi escrever uma CARTA DA ALEGRIA, na qual dizia, entre outras coisas:
. "Meu grande amigo, pastor Marcilio, ao nos visitar ontem, disse que, ao entrar num hospital, leu em uma placa: “O IMPORTANTE NÃO É COMPREENDER E SIM CONFIAR”.No meu coração eu disse. É isto mesmo. É isto que estamos vivendo. (...) O caminho é o mesmo: CONFIAR. Confiar em Deus".
. "Deus tem nos falado que a verdadeira guerra espiritual, se é que estamos usando o termo corretamente, não se dá no terreno da demonstração do poder de Deus, pois Satanás sabe mais do que nós, o que Deus pode fazer. Ele pode me curar. Ele pode curar o Filipe. Ele pode abrir o mar vermelho. Ele pode ressuscitar os mortos. Ele pode fazer o que quiser, quando quiser, da forma que quiser, onde quiser. Ele é o GRANDE EU SOU!!!!"
. "Não queremos compreender. Ele nos dirá quando quiser, se quiser, da maneira que quiser. Ele não nos deve explicação. Ele é Deus. Ele é Senhor. Ele É. O que Ele vai fazer eu não sei. Mas independente de qualquer coisa vamos nos alegrar nEle, vamos celebrar o nome dEle, vamos amá-lo, vamos continuar a evangelizar, vamos continuar a investir em Missões, vamos continuar a servi-lo enquanto vida houver".
. "Fiquem tranqüilos!!! Não estou delirando. O meu coração está exultante. Nem eu consigo entender".
Felipe ficou completamente bom e nos meses seguintes pregou regularmente em sua congregação e em outras igrejas. Quando não podia pregar, escrevia. Comentando um sermão do pastor John Piper, sobre sua experiência pessoal com o câncer, Xavier concluiu: "Não vivemos para nós mesmos. Até mesmo a cura, não deve ser apenas para nosso benefício, mas para a glória de Deus, de modo que o nome dEle seja honrado, e que em sendo curado, minha vida possa ser ainda mais usada para a glória dEle. Jesus nos deixa este exemplo. Sua vida, sua morte, sua ressurreição tiveram o propósito de cumprir a vontade do Pai, dar a Ele toda a glória e nos salvar. Ele é o nosso modelo. Penso que foi isto que estava atrás daquela expressão tão maravilhosa, proferida pelo pastor Mauro Israel [Moreira]: “Se Deus me curar, vocês verão a glória de Deus, mas se Ele não o fizer, eu verei a glória de Deus”. Que o seu coração esteja cheio de gratidão a Deus, e que você não desperdice o momento que vive, quer esteja com saúde, doente".
No mês de janeiro de 2008, a fraqueza o levou ao hospital algumas vezes, mas, entre uma crise e outra, trabalhava, pregando ou escrevendo mensagens para sua igreja.
No dia 17 de Janeiro de 2008, no hospital, escreveu a sua CARTA DA ESPERANÇA, em que afirmava sua confiança na cura. Ela começava assim: "Não posso negar que em meio às dores e ao sofrimento, algumas vezes já desanimei e desejei que desistissem de mim, mas logo entendo que este processo de obediência e submissão em meio às lágrimas, que são muitas, e ao sofrimento que acaba passando, faz parte do processo do trabalho amoroso de Deus em mim e no meio do seu povo".
A conclusão era um convite: "Precisamos mudar nossa postura e nos aprofundarmos no conhecimento da Palavra de Deus e de suas promessas. Deus nos chama para um tempo de esperança, de fé nas suas promessas. Vamos desengavetar o que está engavetado e assumir uma postura de crente com C maiúsculo e resgatar um dos textos mais importantes que temos negligenciado, o qual se encontra tanto no Velho, quanto no Novo Testamento: `O justo viverá pela fé' (Rm 1.16, Hc 2.4)"
O texto seguinte, duas semanas depois (1.2.2008), que chamou CARTA DA MISERICÓRDIA, a última.
"Quando o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas, ele ficou impressionado sobre quão facilmente eles estavam sucumbindo à tentação da auto-justiça, ou seja, pensarem que Deus lhes devia algo por serem ou fazerem alguma coisa por ELE, de modo a que Deus ficasse lhes devendo algo.
Ontem foi uma tarde e noite muito difíceis para mim e quase caí nesta armadilha sutil e perigosa. Sofri muito com dores inenarráveis, pois o alimento não conseguia passar e tive alguns episódios de vômito. Naquelas horas senti Deus tão distante, e comecei a experimentar um tipo de autocomiseração. Fiquei me lembrando de tantas palavras boas que tenho ouvido sobre minha vida, meu ministério, pessoas me lembrando de quão importante fui a determinado momento da vida delas, de ações como pastor, de como tenho servido de exemplo em meio a este sofrimento, a maneira como tenho me portado, etc...
Enquanto sofria, me via quase que cobrando de Deus o alívio para aquele sofrimento ou a cura imediata, afinal ele curou tanta gente que nada fizera por ele e ali estava eu, seu servo, com uma boa folha de serviço, sofrendo. Não era justo. Ele tinha que fazer alguma coisa.
Durante a noite, já sem a dor, comecei a orar e Deus parecia tão distante. Não sei se pude entender exatamente as palavras de Jesus na cruz: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste”..., mas passou perto!!! Parecia que eu falava para as paredes. Lembrei-me do diálogo de Deus com Jó, quando diante da grandeza e da majestade de Deus, Jó decide simplesmente botar a mão sobre a boca e não falar mais nada.
Decidi tomar a mesma decisão, que é muito sábia. Porém, mais do que me mostrar quem Ele é, Deus começou a mostrar quem eu era, e aí comecei a cair na real. Vi-me sentindo ciúmes de tantos colegas que estão com suas igrejas em retiro, estão voltando das férias para reiniciar os seus ministérios, ou estão começando um novo ministério cheio de planos e idéias. E ali estava eu numa cama, impotente, cheio de autocomiseração, auto justiça, achando que era mesmo um exemplo, aceitando todas aquelas boas palavras sobre mim, quando na verdade eu tenho medos, dúvidas, questionamentos, pouca fé, ansiedade.
Até para escrever esta carta tenho medo de passar uma imagem de humildade que não existe. Foi quando me lembrei, e que boa lembrança, “que Deus provou o seu amor para comigo sendo eu ainda um PECADOR”. Onde a vida cristã começa e continua. Deus decidiu me amar e continuar a me amar, a despeito de mim mesmo. Eu não sou mesmo exemplo de nada, mas um servo inútil, e por favor não desmintam a Bíblia, e saibam que isto se aplica a todos nós, mesmo aqueles que querem pensar diferente. Deus não reparte a glória dEle com ninguém. Se tenho conseguido “segurar” as pontas, é porque a graça e a misericórdia dEle se manifestam na minha fraqueza, em toda a plenitude da minha fraqueza, física, espiritual, moral, etc.
O apóstolo Paulo tem uma dimensão desta graça que me deixa sempre envergonhado. Sempre reconheceu que era o principal dos pecadores. E que tudo o que fazia e tinha, era somente devido à graça de Jesus.
Sou grato a Deus pelo sofrimento e por esta tarde e noite que me tem feito enxergar isso, e que têm me ajudado a me abandonar aos cuidados dEle. Foi difícil rasgar a minha folha de serviços prestados. Mas acredito que consegui fazê-lo. Agora não tenho nada para me apresentar diante dEle, a não ser tão somente os méritos de Seu Filho Jesus, por isso tenho dado a esta carta o título de Carta da Misericórdia".
EPÍLOGO
Na noite do dia 21 de fevereiro, ele passou muito mal e foi transferido para o hospital na manha seguinte. Horas depois, às 16h30min, sua luta terminou. Seu corpo ficou guardado no cemitério São João Batista, em Botafogo (Rio de Janeiro, RJ).
Ao culto de gratidão compareceram centenas de pessoas, além dos milhares que o acompanharam ao vivo pela internet. Aos dois pastores que pregaram, Valdo Fonseca e Israel Belo de Azevedo, escolhidos por eles no dia 15 de setembro de 2007, determinou que não falassem dele mas que proclamassem Jesus Cristo, seu Senhor e Mestre, com quem agora está de braços dados.
Escrevi dois sonetos assimétricos neste contexto, um na manhã no dia 23 de fevereiro, em homenagem à sua esposa Clenir. Eu o li no culto. O outro, em homenagem a ele, escrito em outro momento, li-o no cemitério, já que estava impedido de falar sobre no culto. Vão a seguir transcritos:
CLENIR
Choramos um gigante que tombou
deixando raízes de imensa largura,
graças à esposa que na vida encontrou:
Clenir, que sempre esteve à sua altura,
Clenir, que Xavier conheceu ainda mais na dor
e nós vimos entre os dois forescendo a ternura
de um casal que verdadeiramente se amou,
formando da Graça uma linda iluminura.
Agora, muitas graças damos pelo grande Xavier,
para quem a Trindade, e só ela, agora sorri
e ele, diante de tanta glória, derrama-se em prazer.
Muitas graças damos pela grande Clenir,
porque sem esta giganta não haveria Xavier,
certos de que sem Xavier não haveria Clenir.
XAVIER
Do meu irmão Xavier também me despedirei
agora que seu corpo foi pela morte calado;
por sua vida ao Deus que é bom celebrarei
embora não possa ver seu rosto de sorrisos timbrado.
O que nesta hora de silêncios direi,
senão que seu ritual de espera foi um brado,
não de revolta, porque sempre o guardarei
como ato de um coração ao Pai consagrado?
A mim, mesmo com o que aprendi, perguntarei
se conservarei a mesma convicção ardente
de ser amado pelo Pai tão verdadeiramente.
Agora no meu coração eu lhe escreverei
esta lápide como meu próprio mote:
"Xavier, vida que soube ser exemplo na morte".
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
Pastor da Igreja Batista Itacuruçá e diretor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasi, ex-professor do seminarista Xavier e ex-mentoreado pelo pastor Xavier.
COMEÇOU O SEGUNDO TEMPO DA VIDA DO PASTOR XAVIER
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
Depois de dezoito meses em que, junto com sua família e com o apoio de sua igreja e de comunidade de amigos, lutou contra o câncer no peritônio ("membrana que recobre as paredes do abdome e a superfície dos órgãos digestivos"), descansou o pastor Manoel XAVIER dos Santos Filho, há quase 17 anos na liderança da Igreja Batista Memorial da Tijuca, na cidade de do Rio de Janeiro. Ele tinha 52 anos e deixa a esposa, Clenir, com quem se casou em Curitiba, e os filhos Felipe, Luana e Fábio.
Xavier se converteu aos 17 anos de idade, tendo sido batizado pelo pastor Hélcio da Silva Lessa, na Igreja Batista Itacuruçá. Nesta igreja foi chamado para o Ministério Pastoral e recomendado ao Seminário Teológico do Sul do Brasil. Como parte de sua formação, atuou como seminarista na Igreja Batista de Cordovil (Rio de Janeiro, RJ). Depois de formado, serviu pioneiramente junto à população que construiu a hidrelétrica de Itaipu. Em seguida, foi, por quatro anos, pastor de jovens na Primeira Igreja Batista de Curitiba, pastoreada então por Marcílio Gomes Teixeira. Nesta mesma cidade, assumiu o pastorado da Igreja Batista do Bacacheri, onde conheceu Clenir, com quem se casou em 31 de maio de 1986. Após sua pós-graduação na Inglaterra (Spurgeon's College) e no País de Gales (Cardiff University), foi eleito para para a Memorial da Tijuca, onde, a partir de 31 de março de 1991, construiu uma igreja e um templo, erguido sobre o anterior à Rua Conde de Bonfim, 789 (Tijuca, Rio de Janeiro, RJ).
SUAS IGREJAS
Sobre cada uma das igrejas, pelas quais passou como seminarista e pastor, deixou um testemunho.
Sobre a Igreja Batista Itacuruçá, escreveu: "Foi a igreja onde se deu a minha conversão, através do clube bíblico que ali funcionava; a minha chamada para o Ministério que é a base da minha formação como crente em Jesus, isto devido a uma sólida e inesquecível Escola Bíblica Dominical. Preguei naquela igreja o meu primeiro sermão, e aqueles irmãos, acostumados a ouvirem o Pr. Hélcio Lessa, um grande expositor da Palavra de Deus, me ouviam atentamente e balançavam a sua cabeça me apoiando, ou talvez, tentando não dormir. (... ) Esta igreja suportou as minhas instabilidades, meus altos e baixos. Reconheceu a minha chamada para o Ministério, deu-me oportunidades para pregar nos cultos ao ar livre nas praças e para ajudar no trabalho dos presídios e ainda me ajudou financeiramente no curso no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. O Pastor Hélcio Lessa foi o meu pastor durante todos aqueles anos. (...) Aprendi ali que a igreja é um dos instrumentos de Deus para a conversão e a firmeza doutrinária, além de fonte das vocações.
Sobre a Igreja Batista de Cordovil, testemunhou: "Fiquei ali os dois últimos anos do Seminário. Uma igreja sólida doutrinariamente, pastoreada à época, pelo Pastor Jonas Lisboa. Uma igreja composta de gente simples, cujas casas estavam sempre abertas para receber. Fiz as minhas refeições dominicais, enquanto seminarista, nas casas de vários irmãos. (...) Muitos domingos almocei na casa do Pastor Jonas e de sua família. Com ele aprendi muito. As coisas práticas que não se aprende no seminário. Ele também é um excelente expositor da Palavra de Deus e um homem muito ciente de suas funções pastorais. (...) Aprendi ali a lidar com as diferenças, a viver um cristianismo mais simples, a ser mais humilde e compromissado com o Senhor. Aprendi ali que a igreja é um lugar de descoberta e desenvolvimento dos dons espirituais".
Sobre a Primeira Igreja Batista de Curitiba, anotou: "Ali foi a minha pós-graduação no pastorado. Aprendi na prática muitas coisas com o Pastor Marcilio e com os membros da PIB que me acolheram como filho. Na verdade fui verdadeiramente “adotado” pelo casal Sofonias e Janety, que substituíram os meus pais no meu casamento. A igreja é verdadeiramente uma família. Sempre experimentei isto por onde passei. Ali aprendi a importância do mentoreamento, quando esta prática nem existia. O pastor Marcilio pacientemente sentava comigo e me orientava em muitas áreas do ministério e a esposa dele, a irmã Helena, era a minha conselheira sentimental, uma vez que eu era um pastor solteiro. (...) Aprendi ali o valor do discipulado contínuo como compartilhamento de vida.
Sobre a Igreja Batista do Bacacheri, registrou: "Uma igreja muito querida. Quantas experiências eu tive ali. (...) A igreja do Bacacheri foi também muito paciente e amorosa comigo. Até hoje, passados tantos anos, ainda temos ali muitos amigos que deixamos. Gente que chegava junto.
Sobre a Igreja Batista Memorial da Tijuca, desabafou: "É a igreja da minha maturidade ministerial. Tenho aprendido muito nesta igreja. A igreja onde fiquei mais tempo como pastor até aqui. (...) Tem sido também uma igreja especial, porque tem sido a igreja com a qual tenho crescido através do sofrimento. A Memorial é uma igreja que tem sabido não apenas se alegrar comigo, mas também chorar. E como já choramos juntos. E como temos crescido juntos. Uma igreja que tem sido paciente comigo, me acolhido nas minhas enfermidades, sabido esperar o tempo de Deus com relação à minha saúde. Igreja que tem acolhido a minha família e nos oferecido todo o tipo de apoio que se pode imaginar, em especial, nestes últimos tempos. Às vezes não sei se sou eu que os pastoreio ou se são eles que me pastoreiam. Penso que são as duas coisas.
ENFERMIDADE
Em 2006, foi-lhe diagnosticado um câncer, que acabaria por levá-lo. Nesse período submeteu-se a algumas cirurgias. Em janeiro de 2007, pregou um dos sermões da Assembléia da Convenção Batista Brasileira em Florianópolis.
Em julho ele explicou, mesmo desejoso de tirar o foco da sua pessoa, a sua condição: "A minha situação atual é a seguinte: os tumores que ainda estão no abdômen são de um tipo raro, cujo tratamento é cirúrgico. O cirurgião que me operou entendeu que não deveria tentar tirar todas as lesões, especialmente da parte posterior, pois poderia colocar em risco a minha vida".
Surgiu a possibilidade de uma viagem aos Estados Unidos para a consulta a outro especialista. Contudo, "Após verificar os meus exames o cirurgião americano concluiu que eu não tinha o perfil para aquele tipo de tratamento, considerando que o câncer está avançado e poderia colocar em risco a minha vida. Ou seja, enquanto não surgir outro tratamento ou Deus não me curar, continuarei a viver muito bem, como disse Paulo, na completa dependência da graça de Deus".
A partir do dia 13 de setembro de 2007, informado pelos médicos que nada mais poderia ser feito para sua recuperação, reuniu sua família, sua igreja e seus amigos para se despedir. O prognóstico é que seu passamento se daria em poucos dias, por inanição. E ele decidiu ir para casa. No dia 15, reuniu os pastores no hospital e à noite promoveu um inesquecível culto de despedida em sua igreja, culto que o pastor Xavier considerou "maravilhoso", já que "pudemos contemplar a glória do Senhor dando-nos uma pequenina amostra de como será no céu, quando O veremos face a face".
CORRESPONDÊNCIA DE VIDA
Estive com ele no hospital. Com sua autorização, gravei suas falas. Estive várias outras vezes com ele. Que privilégio o meu. Ele me abencou na vida. Ele me abençoou na morte. Estive com ele no hospital no dia 16 de janeiro, quando ele falou longamente sobre oração (e eu não vou jamais esquecer). Estive em sua casa na sua última terça-feira entre nós, ele já muito fraco, dizendo-me um lânguido "oi, Belo", com um sorriso discreto. Poderia dizer muito sobre sua humildade, sobre sua fé, sobre sua esperança, mas ele falará melhor do que eu. Selecionei alguns de seus parágrafos, escritos neste tempo. Ainda bem que, que não era de escrever, escreveu. (Quem quiser pode ler a íntegra no sitio da igreja: www.ibmt.org.br. Sobre outras anotações sobre sua enfermidade, acesse meu blog em www.prazerdapalavra.com.br).
No dia 16 de setembro, depois de ter recebido o diagnóstico de que não havia mais o que ser feito, escreveu, despedindo-se: "Se nada de novo acontecer, esta será a minha última pastoral para vocês. Quero que saibam que eu os amo profundamente e me sinto realizado de poder ter trabalhado com vocês ao longo desses tempos. Deus tem sido fiel para comigo em todas as coisas, mui especialmente, permitindo que eu pudesse me despedir de vocês, e aproveitar para encorajá-los a continuarem firmes no Senhor, sempre abundantes na Sua obra, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. Acabei de conversar mais uma vez com toda a minha família, há alguns minutos atrás. Que privilégio. Pude dar a todos a última orientação que estava no meu coração. Estou em perfeita paz, pronto para encontrar o meu Salvador, a quem tive o maior privilégio de servir. Saibam que estarei aguardando cada um de vocês lá. Mas, não tenham pressa. A vida aqui é muito preciosa também".
No dia seguinte, reafirmou, no seu elevado senso de humor: "Não se assustem. Esta pastoral não é do além. (... )Eu a escrevi às 21 h de domingo. Sei que posso acordar curado, mas se isto não acontecer, acredito que talvez já possa estar com o Senhor, pois começo a me sentir fraco. Caso esteja aqui ainda, durante os próximos dias..., de qualquer forma, esta é a minha última palavra a vocês". Em seguida, acrescentou: "Quando nós morremos, em Cristo, temos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente com Ele para um relacionamento ainda mais pessoal. Foi isto que Deus fez com João através do Apocalipse. Mostrou a ele, em meio ao seu sofrimento todas as coisas que ele iria experimentar. Vou experimentar todas aquelas bênçãos. E espero encontrar cada um de vocês lá..."
Neste processo, Felipe, um de seus filhos, contraiu uma inexplicável enfermidade e teve que ser hospitalizado. A reação de Xavier foi escrever uma CARTA DA ALEGRIA, na qual dizia, entre outras coisas:
. "Meu grande amigo, pastor Marcilio, ao nos visitar ontem, disse que, ao entrar num hospital, leu em uma placa: “O IMPORTANTE NÃO É COMPREENDER E SIM CONFIAR”.No meu coração eu disse. É isto mesmo. É isto que estamos vivendo. (...) O caminho é o mesmo: CONFIAR. Confiar em Deus".
. "Deus tem nos falado que a verdadeira guerra espiritual, se é que estamos usando o termo corretamente, não se dá no terreno da demonstração do poder de Deus, pois Satanás sabe mais do que nós, o que Deus pode fazer. Ele pode me curar. Ele pode curar o Filipe. Ele pode abrir o mar vermelho. Ele pode ressuscitar os mortos. Ele pode fazer o que quiser, quando quiser, da forma que quiser, onde quiser. Ele é o GRANDE EU SOU!!!!"
. "Não queremos compreender. Ele nos dirá quando quiser, se quiser, da maneira que quiser. Ele não nos deve explicação. Ele é Deus. Ele é Senhor. Ele É. O que Ele vai fazer eu não sei. Mas independente de qualquer coisa vamos nos alegrar nEle, vamos celebrar o nome dEle, vamos amá-lo, vamos continuar a evangelizar, vamos continuar a investir em Missões, vamos continuar a servi-lo enquanto vida houver".
. "Fiquem tranqüilos!!! Não estou delirando. O meu coração está exultante. Nem eu consigo entender".
Felipe ficou completamente bom e nos meses seguintes pregou regularmente em sua congregação e em outras igrejas. Quando não podia pregar, escrevia. Comentando um sermão do pastor John Piper, sobre sua experiência pessoal com o câncer, Xavier concluiu: "Não vivemos para nós mesmos. Até mesmo a cura, não deve ser apenas para nosso benefício, mas para a glória de Deus, de modo que o nome dEle seja honrado, e que em sendo curado, minha vida possa ser ainda mais usada para a glória dEle. Jesus nos deixa este exemplo. Sua vida, sua morte, sua ressurreição tiveram o propósito de cumprir a vontade do Pai, dar a Ele toda a glória e nos salvar. Ele é o nosso modelo. Penso que foi isto que estava atrás daquela expressão tão maravilhosa, proferida pelo pastor Mauro Israel [Moreira]: “Se Deus me curar, vocês verão a glória de Deus, mas se Ele não o fizer, eu verei a glória de Deus”. Que o seu coração esteja cheio de gratidão a Deus, e que você não desperdice o momento que vive, quer esteja com saúde, doente".
No mês de janeiro de 2008, a fraqueza o levou ao hospital algumas vezes, mas, entre uma crise e outra, trabalhava, pregando ou escrevendo mensagens para sua igreja.
No dia 17 de Janeiro de 2008, no hospital, escreveu a sua CARTA DA ESPERANÇA, em que afirmava sua confiança na cura. Ela começava assim: "Não posso negar que em meio às dores e ao sofrimento, algumas vezes já desanimei e desejei que desistissem de mim, mas logo entendo que este processo de obediência e submissão em meio às lágrimas, que são muitas, e ao sofrimento que acaba passando, faz parte do processo do trabalho amoroso de Deus em mim e no meio do seu povo".
A conclusão era um convite: "Precisamos mudar nossa postura e nos aprofundarmos no conhecimento da Palavra de Deus e de suas promessas. Deus nos chama para um tempo de esperança, de fé nas suas promessas. Vamos desengavetar o que está engavetado e assumir uma postura de crente com C maiúsculo e resgatar um dos textos mais importantes que temos negligenciado, o qual se encontra tanto no Velho, quanto no Novo Testamento: `O justo viverá pela fé' (Rm 1.16, Hc 2.4)"
O texto seguinte, duas semanas depois (1.2.2008), que chamou CARTA DA MISERICÓRDIA, a última.
"Quando o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas, ele ficou impressionado sobre quão facilmente eles estavam sucumbindo à tentação da auto-justiça, ou seja, pensarem que Deus lhes devia algo por serem ou fazerem alguma coisa por ELE, de modo a que Deus ficasse lhes devendo algo.
Ontem foi uma tarde e noite muito difíceis para mim e quase caí nesta armadilha sutil e perigosa. Sofri muito com dores inenarráveis, pois o alimento não conseguia passar e tive alguns episódios de vômito. Naquelas horas senti Deus tão distante, e comecei a experimentar um tipo de autocomiseração. Fiquei me lembrando de tantas palavras boas que tenho ouvido sobre minha vida, meu ministério, pessoas me lembrando de quão importante fui a determinado momento da vida delas, de ações como pastor, de como tenho servido de exemplo em meio a este sofrimento, a maneira como tenho me portado, etc...
Enquanto sofria, me via quase que cobrando de Deus o alívio para aquele sofrimento ou a cura imediata, afinal ele curou tanta gente que nada fizera por ele e ali estava eu, seu servo, com uma boa folha de serviço, sofrendo. Não era justo. Ele tinha que fazer alguma coisa.
Durante a noite, já sem a dor, comecei a orar e Deus parecia tão distante. Não sei se pude entender exatamente as palavras de Jesus na cruz: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste”..., mas passou perto!!! Parecia que eu falava para as paredes. Lembrei-me do diálogo de Deus com Jó, quando diante da grandeza e da majestade de Deus, Jó decide simplesmente botar a mão sobre a boca e não falar mais nada.
Decidi tomar a mesma decisão, que é muito sábia. Porém, mais do que me mostrar quem Ele é, Deus começou a mostrar quem eu era, e aí comecei a cair na real. Vi-me sentindo ciúmes de tantos colegas que estão com suas igrejas em retiro, estão voltando das férias para reiniciar os seus ministérios, ou estão começando um novo ministério cheio de planos e idéias. E ali estava eu numa cama, impotente, cheio de autocomiseração, auto justiça, achando que era mesmo um exemplo, aceitando todas aquelas boas palavras sobre mim, quando na verdade eu tenho medos, dúvidas, questionamentos, pouca fé, ansiedade.
Até para escrever esta carta tenho medo de passar uma imagem de humildade que não existe. Foi quando me lembrei, e que boa lembrança, “que Deus provou o seu amor para comigo sendo eu ainda um PECADOR”. Onde a vida cristã começa e continua. Deus decidiu me amar e continuar a me amar, a despeito de mim mesmo. Eu não sou mesmo exemplo de nada, mas um servo inútil, e por favor não desmintam a Bíblia, e saibam que isto se aplica a todos nós, mesmo aqueles que querem pensar diferente. Deus não reparte a glória dEle com ninguém. Se tenho conseguido “segurar” as pontas, é porque a graça e a misericórdia dEle se manifestam na minha fraqueza, em toda a plenitude da minha fraqueza, física, espiritual, moral, etc.
O apóstolo Paulo tem uma dimensão desta graça que me deixa sempre envergonhado. Sempre reconheceu que era o principal dos pecadores. E que tudo o que fazia e tinha, era somente devido à graça de Jesus.
Sou grato a Deus pelo sofrimento e por esta tarde e noite que me tem feito enxergar isso, e que têm me ajudado a me abandonar aos cuidados dEle. Foi difícil rasgar a minha folha de serviços prestados. Mas acredito que consegui fazê-lo. Agora não tenho nada para me apresentar diante dEle, a não ser tão somente os méritos de Seu Filho Jesus, por isso tenho dado a esta carta o título de Carta da Misericórdia".
EPÍLOGO
Na noite do dia 21 de fevereiro, ele passou muito mal e foi transferido para o hospital na manha seguinte. Horas depois, às 16h30min, sua luta terminou. Seu corpo ficou guardado no cemitério São João Batista, em Botafogo (Rio de Janeiro, RJ).
Ao culto de gratidão compareceram centenas de pessoas, além dos milhares que o acompanharam ao vivo pela internet. Aos dois pastores que pregaram, Valdo Fonseca e Israel Belo de Azevedo, escolhidos por eles no dia 15 de setembro de 2007, determinou que não falassem dele mas que proclamassem Jesus Cristo, seu Senhor e Mestre, com quem agora está de braços dados.
Escrevi dois sonetos assimétricos neste contexto, um na manhã no dia 23 de fevereiro, em homenagem à sua esposa Clenir. Eu o li no culto. O outro, em homenagem a ele, escrito em outro momento, li-o no cemitério, já que estava impedido de falar sobre no culto. Vão a seguir transcritos:
CLENIR
Choramos um gigante que tombou
deixando raízes de imensa largura,
graças à esposa que na vida encontrou:
Clenir, que sempre esteve à sua altura,
Clenir, que Xavier conheceu ainda mais na dor
e nós vimos entre os dois forescendo a ternura
de um casal que verdadeiramente se amou,
formando da Graça uma linda iluminura.
Agora, muitas graças damos pelo grande Xavier,
para quem a Trindade, e só ela, agora sorri
e ele, diante de tanta glória, derrama-se em prazer.
Muitas graças damos pela grande Clenir,
porque sem esta giganta não haveria Xavier,
certos de que sem Xavier não haveria Clenir.
XAVIER
Do meu irmão Xavier também me despedirei
agora que seu corpo foi pela morte calado;
por sua vida ao Deus que é bom celebrarei
embora não possa ver seu rosto de sorrisos timbrado.
O que nesta hora de silêncios direi,
senão que seu ritual de espera foi um brado,
não de revolta, porque sempre o guardarei
como ato de um coração ao Pai consagrado?
A mim, mesmo com o que aprendi, perguntarei
se conservarei a mesma convicção ardente
de ser amado pelo Pai tão verdadeiramente.
Agora no meu coração eu lhe escreverei
esta lápide como meu próprio mote:
"Xavier, vida que soube ser exemplo na morte".
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
Pastor da Igreja Batista Itacuruçá e diretor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasi, ex-professor do seminarista Xavier e ex-mentoreado pelo pastor Xavier.
sábado, fevereiro 23, 2008
XAVIER: UMA DESPEDIDA (23.2.2008)
Em setembro de 2007, depois de voltar do hospital a que nos chamou para se despedir, escrevi um soneto, que nunca publiquei. Faço agora, apenas com uma alteração atualizadora.
XAVIER: UMA DESPEDIDA (23.2.2008)
Do meu irmão Xavier também me despedirei
agora que seu corpo foi pela morte calado
por sua vida ao Deus que é bom celebrarei
embora não possa ver seu rosto de sorrisos timbrado.
O que nesta hora de silêncios direi,
senão que seu ritual de espera foi um brado,
não de revolta, porque sempre o guardarei
como ato de um coracao ao Pai todo consagrado?
A mim, mesmo com o que aprendi, ainda perguntarei
se conservarei a mesma convicção ardente
de ser amado pelo Pai tão verdadeiramente.
Agora no meu coração eu lhe escreverei
esta lápide como meu próprio mote:
"Xavier vida que soube ser exemplo na morte.
É assim como ele que quero preparado me ver".
Não publiquei porque, como todos os seus amigos, mesmo contra esperança, tinha esperança.
Na época escrevi, explicando-me a não publicação.
Seu epitafio ainda não escreverei:
vá que a Trindade se mostre palhaça
e adie o encontro como uma travessura da graça.
Eu estava certo em não publicar. A Trindade, travessa, adiou sua chegada aos páramos celestes por cinco meses. Bem que queríamos mais.
XAVIER: UMA DESPEDIDA (23.2.2008)
Do meu irmão Xavier também me despedirei
agora que seu corpo foi pela morte calado
por sua vida ao Deus que é bom celebrarei
embora não possa ver seu rosto de sorrisos timbrado.
O que nesta hora de silêncios direi,
senão que seu ritual de espera foi um brado,
não de revolta, porque sempre o guardarei
como ato de um coracao ao Pai todo consagrado?
A mim, mesmo com o que aprendi, ainda perguntarei
se conservarei a mesma convicção ardente
de ser amado pelo Pai tão verdadeiramente.
Agora no meu coração eu lhe escreverei
esta lápide como meu próprio mote:
"Xavier vida que soube ser exemplo na morte.
É assim como ele que quero preparado me ver".
Não publiquei porque, como todos os seus amigos, mesmo contra esperança, tinha esperança.
Na época escrevi, explicando-me a não publicação.
Seu epitafio ainda não escreverei:
vá que a Trindade se mostre palhaça
e adie o encontro como uma travessura da graça.
Eu estava certo em não publicar. A Trindade, travessa, adiou sua chegada aos páramos celestes por cinco meses. Bem que queríamos mais.
CLENIR
No culto de gratidão a Deus pela vida do Xavier, li o soneto que agora transcrevo.
CLENIR
Choramos um gigante que tombou
deixando raízes de imensa largura,
graças à esposa que na vida encontrou:
Clenir, que sempre esteve à sua altura,
Clenir, que Xavier conheceu ainda mais na dor
e nós vimos entre os dois forescendo a ternura
de um casal que verdadeiramente se amou,
formando da Graça uma linda iluminura.
Muitas graças damos pelo grande Xavier,
para quem a Trindade, e só ela, agora sorri
e ele, diante de tanta glória, derrama-se em prazer.
Muitas graças damos pela grande Clenir,
porque sem esta giganta não haveria Xavier,
certos de que sem Xavier não haveria Clenir.
(23.2.2008)
CLENIR
Choramos um gigante que tombou
deixando raízes de imensa largura,
graças à esposa que na vida encontrou:
Clenir, que sempre esteve à sua altura,
Clenir, que Xavier conheceu ainda mais na dor
e nós vimos entre os dois forescendo a ternura
de um casal que verdadeiramente se amou,
formando da Graça uma linda iluminura.
Muitas graças damos pelo grande Xavier,
para quem a Trindade, e só ela, agora sorri
e ele, diante de tanta glória, derrama-se em prazer.
Muitas graças damos pela grande Clenir,
porque sem esta giganta não haveria Xavier,
certos de que sem Xavier não haveria Clenir.
(23.2.2008)
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
XAVIER, 22.2.2008
Terminou.
Em lágrimas, escrevo.
Acaba (por volta das 18h30min do dia 22.2.2008) de entrar na sua casa final (para onde vou também) o meu amigo Xavier.
Liguei para Clenir, sua esposa, mas ela não atendeu. Daqui a pouco, ela me retornou. Eu chorava e ela se mostrava firme, dizendo que tinha acabado a luta.
Foi intensa a luta e terminou na vitória da morte. Não temos como ver a morte senão como derrota, porque ela nos separada. Nunca mais verei o meu amigo (sim, ele era meu amigo desde quando convivemos na Igreja Batista Itacuruçá e depois, ele como meu aluno, no Seminário). Nunca mais ele me aconselhará (sim, ele era meu conselheiro). Nunca mais escutarei seus sermões, bem-humorados e muito profundos.
Para mim, uma derrota. Para ele, uma vitória.
Ele foi digno do Evangelho na vida e digno do Evangelho na morte. Mesmo alcançado pela desgraça do câncer, não deixou de achar que Deus é bom.
Para ele, uma vitória, porque agora (com corpo novo, sem tumor, com corpo eterno, jamais corruptível), já ouviu a inolvidável frase: "entra no gozo do teu Senhor". Frase dita pessoalmente pelo próprio Senhor. Tinha razão o incrível Paulo: "nem a morte nos separa do amor de Cristo".
Em lágrimas, escrevo.
Acaba (por volta das 18h30min do dia 22.2.2008) de entrar na sua casa final (para onde vou também) o meu amigo Xavier.
Liguei para Clenir, sua esposa, mas ela não atendeu. Daqui a pouco, ela me retornou. Eu chorava e ela se mostrava firme, dizendo que tinha acabado a luta.
Foi intensa a luta e terminou na vitória da morte. Não temos como ver a morte senão como derrota, porque ela nos separada. Nunca mais verei o meu amigo (sim, ele era meu amigo desde quando convivemos na Igreja Batista Itacuruçá e depois, ele como meu aluno, no Seminário). Nunca mais ele me aconselhará (sim, ele era meu conselheiro). Nunca mais escutarei seus sermões, bem-humorados e muito profundos.
Para mim, uma derrota. Para ele, uma vitória.
Ele foi digno do Evangelho na vida e digno do Evangelho na morte. Mesmo alcançado pela desgraça do câncer, não deixou de achar que Deus é bom.
Para ele, uma vitória, porque agora (com corpo novo, sem tumor, com corpo eterno, jamais corruptível), já ouviu a inolvidável frase: "entra no gozo do teu Senhor". Frase dita pessoalmente pelo próprio Senhor. Tinha razão o incrível Paulo: "nem a morte nos separa do amor de Cristo".
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Xavier, 16.1.2008
Depois de algum tempo, apenas me (tele)informando, estive pela manhã, no dia 16.1.2008, com o Xavier, no hospital da Ordem Terceira, na Tijuca, Rio de Janeiro.
Na véspera, tinha vindo transferido de outro hospital, para onde fora, depois de ter voltado para casa após a cirurgia a que se submeteu para introduzir um cateter, cujo objetivo é lhe dar mais qualidade de vida. (A história que antecedeu a introdução do cateter é uma prova de como a graça de Deus é, mas eu preciso deixar que o próprio Xavier a conte.)
Ele estava assentado, aspirado por uma sonda nasogástrica, cuja introdução é muito, muito dolorosa. (E a sonda saiu quando eu estava com ele). Apenas me piscou e depois, com algum mal-estar, conversou. Quis ir embora, que a visita precisa ser curta, mas não fui. Ele tinha o que me dizer e eu tinha o que ouvir.
A conversa ficou gravada, não como aquela no hospital, no dia 15 de setembro do ano passado. É que naquele dia, como era sua despedida de nós (como todos achávamos), pedi licença e gravei (áudio e vídeo) alguns momentos, que tiveram depoimentos, cânticos e orações. Quatro meses depois re(ou)vi as cenas do hospital. As de agora ficaram gravadas só na memória.
Xavier está mais magro. Ele não come. Já esteve mais amarelo, mas sua cor está quase como a de antes. Quando cheguei, a voz estava fraca, mas foi se alçando até ficar cristalina, embora sem força. Força tem essa garanta de ouro quando seu usuário decide pregar e é o que tem feito, com a voz se levantando e os joelhos (dos outros) se quebrantando. Nesse tempo todo vem pregando, em sua igreja e em outras, não para atrair a piedade (se está cansado, não vai), mas porque tem muito o que dizer e quer muito dizer. (Acidália Tymchak me disse hoje que espera que tudo esteja sendo gravado, para que a riqueza da experiência não se perca. Também espero. Guardo alguns minutos comigo). Tem compromissos, aos quais irá se tiver vida e força.
Quando se lembra, ali comigo, que estas são as primeiras férias que não pode passear e brincar com os filhos, as lágrimas lhe lembram sua condição. Quando falo de Clenir, que está no corredor para que eu possa estar ali fora do horário de visitas, lágrimas e sorrisos se incambiam, tamanha é a ternura diante de tamanha força com afeto.
É tudo manifestação da graça de Deus, que pode curar o Xavier, o que todos queremos. Ele nunca deixou de pedir por sua cura e nunca deixou de crer na soberania de Deus, que não é uma caixa fechada, como crêem alguns, mas trilhos, que percorremos juntos. E, então, não sei quem fala agora (lá, foi ele), o ex-aluno ou o ex-professor, porque nossos pensamentos se encontram: meu colega nadando na profundidade, eu na superfície; meu amigo conduzindo o tema e eu assentindo com os olhos, para não perder nem sequer o silêncio; meu mentor derramando seu coração sobre o meu, minhas mãos sobre os seus pés.
Nós não temos tempo para os amigos. Convidamos um ao outro para pregar em nossa igreja, mas sequer ligamos para agradecer ou dizer que foi muito bom. E nos justificamos dizendo que nossas agendas estão cheias, mas quem as preenche? (Digo eu: há uns dois anos um pastor-amigo me convidou para jantarmos, as famílias, na casa dele; ainda não respondi, por falta de tempo; há vários meses, um casal da igreja me convidou para jantarmos, as famílias, na casa dele, mas ainda não encontrei uma noite. E só fui ver o Xavier no meio da manhã porque o desejo foi, ainda bem, mais forte. Os compromissos esperassem.)
Nós não sabemos o que é depender de Deus. No fundo confiamos mesmo em nossos músculos. Quando temos um inimigo, em lugar de orar, procuramos um advogado e usamos as mesmas armas do inimigo, que é mais astuto e mais desonesto e ganha da gente. Só podemos vencer pela oração, mas nós preferimos usar a razão. (À noite, li na igreja o salmo 5.3: "De manhã ouves, Senhor, o meu clamor; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando". Podemos até orar, mas o verbo "esperar", que é o centro da dependência diante de Deus, este não conjugamos.)
Nós vivemos num dos extremos. Como não queremos o pólo da oração positiva, própria da ideologia da prosperidade, também não oramos crendo que a oração do justo pode muito em seus efeitos. Quando está alguém enfermos, chamamos os líderes da igreja para orar? O povo crê mais na oração que seus pastores. Quando uma igreja tem um problema, o que deve fazer? Orar. E nós oramos? Até oramos, mas primeiros reunimos os engenheiros ou os advogados. E pomos Deus dentro do poder dos profissionais, não os profissionais dentro do poder de Deus. Então, não ficamos sabendo quem é Deus. Não entramos com ousadia diante do trono da Sua graça. E, conseqüentemente, não recebemos.
Nós vivemos vidas ralas.
Eu, saudável, fui visitar um enfermo. Como o poder se aperfeiçoa na fraqueza, saí fortalecido, desafiado a orar mais a Deus e a depender mais de Deus.
Obrigado, Xavier.
Na véspera, tinha vindo transferido de outro hospital, para onde fora, depois de ter voltado para casa após a cirurgia a que se submeteu para introduzir um cateter, cujo objetivo é lhe dar mais qualidade de vida. (A história que antecedeu a introdução do cateter é uma prova de como a graça de Deus é, mas eu preciso deixar que o próprio Xavier a conte.)
Ele estava assentado, aspirado por uma sonda nasogástrica, cuja introdução é muito, muito dolorosa. (E a sonda saiu quando eu estava com ele). Apenas me piscou e depois, com algum mal-estar, conversou. Quis ir embora, que a visita precisa ser curta, mas não fui. Ele tinha o que me dizer e eu tinha o que ouvir.
A conversa ficou gravada, não como aquela no hospital, no dia 15 de setembro do ano passado. É que naquele dia, como era sua despedida de nós (como todos achávamos), pedi licença e gravei (áudio e vídeo) alguns momentos, que tiveram depoimentos, cânticos e orações. Quatro meses depois re(ou)vi as cenas do hospital. As de agora ficaram gravadas só na memória.
Xavier está mais magro. Ele não come. Já esteve mais amarelo, mas sua cor está quase como a de antes. Quando cheguei, a voz estava fraca, mas foi se alçando até ficar cristalina, embora sem força. Força tem essa garanta de ouro quando seu usuário decide pregar e é o que tem feito, com a voz se levantando e os joelhos (dos outros) se quebrantando. Nesse tempo todo vem pregando, em sua igreja e em outras, não para atrair a piedade (se está cansado, não vai), mas porque tem muito o que dizer e quer muito dizer. (Acidália Tymchak me disse hoje que espera que tudo esteja sendo gravado, para que a riqueza da experiência não se perca. Também espero. Guardo alguns minutos comigo). Tem compromissos, aos quais irá se tiver vida e força.
Quando se lembra, ali comigo, que estas são as primeiras férias que não pode passear e brincar com os filhos, as lágrimas lhe lembram sua condição. Quando falo de Clenir, que está no corredor para que eu possa estar ali fora do horário de visitas, lágrimas e sorrisos se incambiam, tamanha é a ternura diante de tamanha força com afeto.
É tudo manifestação da graça de Deus, que pode curar o Xavier, o que todos queremos. Ele nunca deixou de pedir por sua cura e nunca deixou de crer na soberania de Deus, que não é uma caixa fechada, como crêem alguns, mas trilhos, que percorremos juntos. E, então, não sei quem fala agora (lá, foi ele), o ex-aluno ou o ex-professor, porque nossos pensamentos se encontram: meu colega nadando na profundidade, eu na superfície; meu amigo conduzindo o tema e eu assentindo com os olhos, para não perder nem sequer o silêncio; meu mentor derramando seu coração sobre o meu, minhas mãos sobre os seus pés.
Nós não temos tempo para os amigos. Convidamos um ao outro para pregar em nossa igreja, mas sequer ligamos para agradecer ou dizer que foi muito bom. E nos justificamos dizendo que nossas agendas estão cheias, mas quem as preenche? (Digo eu: há uns dois anos um pastor-amigo me convidou para jantarmos, as famílias, na casa dele; ainda não respondi, por falta de tempo; há vários meses, um casal da igreja me convidou para jantarmos, as famílias, na casa dele, mas ainda não encontrei uma noite. E só fui ver o Xavier no meio da manhã porque o desejo foi, ainda bem, mais forte. Os compromissos esperassem.)
Nós não sabemos o que é depender de Deus. No fundo confiamos mesmo em nossos músculos. Quando temos um inimigo, em lugar de orar, procuramos um advogado e usamos as mesmas armas do inimigo, que é mais astuto e mais desonesto e ganha da gente. Só podemos vencer pela oração, mas nós preferimos usar a razão. (À noite, li na igreja o salmo 5.3: "De manhã ouves, Senhor, o meu clamor; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando". Podemos até orar, mas o verbo "esperar", que é o centro da dependência diante de Deus, este não conjugamos.)
Nós vivemos num dos extremos. Como não queremos o pólo da oração positiva, própria da ideologia da prosperidade, também não oramos crendo que a oração do justo pode muito em seus efeitos. Quando está alguém enfermos, chamamos os líderes da igreja para orar? O povo crê mais na oração que seus pastores. Quando uma igreja tem um problema, o que deve fazer? Orar. E nós oramos? Até oramos, mas primeiros reunimos os engenheiros ou os advogados. E pomos Deus dentro do poder dos profissionais, não os profissionais dentro do poder de Deus. Então, não ficamos sabendo quem é Deus. Não entramos com ousadia diante do trono da Sua graça. E, conseqüentemente, não recebemos.
Nós vivemos vidas ralas.
Eu, saudável, fui visitar um enfermo. Como o poder se aperfeiçoa na fraqueza, saí fortalecido, desafiado a orar mais a Deus e a depender mais de Deus.
Obrigado, Xavier.
segunda-feira, novembro 12, 2007
Xavier, 12.11
A semana passada foi bastante difícil para o Xavier.
No dia 31/10, esteve em Itacuruçá, quando pregou um notável sermão. Quem quiser pode vê-lop/ouvi-lo em www.itacuruca.org.br (clicando em CULTOS ANTERIORES).
Alguns dias depois começou a passar mal. Transcrevo o comunicado emitido:
No dia 31/10, esteve em Itacuruçá, quando pregou um notável sermão. Quem quiser pode vê-lop/ouvi-lo em www.itacuruca.org.br (clicando em CULTOS ANTERIORES).
Alguns dias depois começou a passar mal. Transcrevo o comunicado emitido:
Esta tem sido uma semana mais difícil para o Pr. Xavier. Desde segunda-feira (5/11), ele tem estado em repouso, realizando poucas atividades a partir de casa. Passou a noite de quarta (7/11) para quinta-feira (8/11) sentindo dores de cólica com um episódio de vômito e novamente um quadro semelhante ao de outras vezes. Está sendo acompanhado de perto pelo Dr. Nelson e por hora está em dieta zero para não estimular mais o intestino e obter a recuperação que é desejada. Esteja orando para que o poder de Deus aja mais uma vez na sua saúde.
Falei esta manhã (12/11), com a Clenir. Xavier não foi hospitalizado, porque este não é o caso. Xavier tem melhorado. Mais uma vez, nossa oração nos põe no colo do mistério da vontade de Deus.
sexta-feira, outubro 12, 2007
XAVIER, 11.12
Não dá para definir a graça.
Caminhei com Xavier durante alguns minutos em volta do prédio em que mora.
Está com um quilo a mais, porque se alimenta melhor.
Não sente dor.
Está pregando.
Faz planos.
Sua esposa voltou a trabalhar.
Sua casa voltou à normalidade.
Continua com a sua vida nas mãos de Deus.
A minha/sua também não está?
Graça é graça.
Caminhei com Xavier durante alguns minutos em volta do prédio em que mora.
Está com um quilo a mais, porque se alimenta melhor.
Não sente dor.
Está pregando.
Faz planos.
Sua esposa voltou a trabalhar.
Sua casa voltou à normalidade.
Continua com a sua vida nas mãos de Deus.
A minha/sua também não está?
Graça é graça.
segunda-feira, outubro 01, 2007
XAVIER, 30.9
Adivinhe quem pregou pregou domingo (30/9/2007) na Igreja Batista Memorial da Tijuca?
O pr. Manoel XAVIER dos Santos Filho.
O pr. Manoel XAVIER dos Santos Filho.
terça-feira, setembro 25, 2007
XAVIER, 24.9
Preciso informar. Não ousarei interpretar.
Depois de alguns dias, vetado por uma gripe que me impedir de mais estar com ele, fui ao Xavier. Antes de entregar em sua casa, o coração, sabedor que estava bem, se perguntava e se agitava: como estará ele? mais fraco?
Entrei. Estava na mesma cadeira, na sala, onde o deixara alguns dias antes. Um amigo comum, de sua adolescência e minha juventude, já estava. Xavier estava do mesmo jeito, com a mesma força.
Conversamos longamente, todos ávidos para falar, ele também. No meio da tertúlia, pediu para ir ao banheiro. Levantou-se, foi e voltou, sozinho e sem ajuda.
Ele está se alimentando, bem pouquinho, é verdade. Está se hidratando permanentemente.
No dia 25, iria ao médico tirar os pontos. A previsão é que isto não fosse necessário... Vocês me entendem? No entanto, isto se tornou necessário.
Eu lhe perguntei por sua rotina. Não tinha. Já começa a ter. Acorda, toma café, lê.
Continua nas mãos de Deus com uma única expectativa: a glória de Deus.
Até aqui ao Xavier ajudou o Senhor!
Que mais posso dizer?
Eu lhes voltarei. Ao Xavier e a vocês.
Depois de alguns dias, vetado por uma gripe que me impedir de mais estar com ele, fui ao Xavier. Antes de entregar em sua casa, o coração, sabedor que estava bem, se perguntava e se agitava: como estará ele? mais fraco?
Entrei. Estava na mesma cadeira, na sala, onde o deixara alguns dias antes. Um amigo comum, de sua adolescência e minha juventude, já estava. Xavier estava do mesmo jeito, com a mesma força.
Conversamos longamente, todos ávidos para falar, ele também. No meio da tertúlia, pediu para ir ao banheiro. Levantou-se, foi e voltou, sozinho e sem ajuda.
Ele está se alimentando, bem pouquinho, é verdade. Está se hidratando permanentemente.
No dia 25, iria ao médico tirar os pontos. A previsão é que isto não fosse necessário... Vocês me entendem? No entanto, isto se tornou necessário.
Eu lhe perguntei por sua rotina. Não tinha. Já começa a ter. Acorda, toma café, lê.
Continua nas mãos de Deus com uma única expectativa: a glória de Deus.
Até aqui ao Xavier ajudou o Senhor!
Que mais posso dizer?
Eu lhes voltarei. Ao Xavier e a vocês.
quarta-feira, setembro 19, 2007
MENSAGEM DE XAVIER (19.9.2007)
Queridas Ovelhas Virtuais, líderes e amigos
"Por isso Deus O exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai" (Fp.2.9-11)
"Aprendi o segredo de viver CONTENTE em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquEle que me fortalece" (Fp.4.12b-13)
"Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!!" (Fp.4.4)
"Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: "O SENHOR FEZ COISAS GRANDIOSAS POR ESTE POVO". Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres"
Achei que a minha palavra de segunda feira passada seria a última que lhes enviaria. Penso que formalmente foi, mas quero estar livre para compartilhar as coisas "grandes e ocultas" que o Senhor for me revelando ao longo deste processo.
Como vocês sabem, em meio a tudo o que já estamos vivendo, fomos surpreendidos com uma internação hospitalar do Filipe, pois começou inexplicavelmente a urinar sangue. Os médicos ainda não encontraram a causa, mas estão investigando. Em certo momento, enquanto chorava, impotente, pois não conseguia estar ao lado do meu querido filho nesta hora, eu disse: "- Deus, não tem problema que estas coisas aconteçam comigo, mas não com o meu filho". Eu estava muito triste, chorando nos ombros da Clenir, enquanto o Paulo Mineiro e a minha cunhada procuravam um lugar para interná-lo. Como internar um garoto de 15 anos em um hospital para adultos que não recebem adolescentes, ou num hospital de pediatria, um adolescentes com 1,84cm. Mas Deus providenciou um lugar, quebrando as regras.
Lembrei-me também da nossa luta, e mui especialmente, da Clenir, que enquanto eu estava no hospital, tinha que se dividir, embora muito bem amparada por minha cunhada, Regina, meu amigo Jimmy, e vários irmãos da igreja, tinha que se dividir entre o hospital São Lucas e a atenção à mãe dela que está com Alzeimer.
A Clenir chegou em casa ontem à noite, exausta, depois de passar a noite anterior e o dia inteiro de ontem no hospital com o Filipe e praticamente foi direto para a cama. Porém, acordamos às 2 da manhã e começamos a conversar e ela me disse coisas muito preciosas que Deus estava falando com ela, a respeito de tudo o que está acontecendo (ela irá escrever sobre isto), e que foram sendo confirmadas em meu coração.
A coisa principal é que ela disse que, de alguma forma, nós temos zombado da morte, como Paulo também o fez, ao perguntar, de modo irônico, à semelhança de Elias desafiando os profetas de Baal: _ "Onde está ó morte, o teu aguilhão???". Ou seja, você, não tem a última palavra. A última palavra é de Deus, é da ressurreição. ALELUIA!!! Consequentemente estamos zombando de Satanás. Pois, pela graça de Deus, e não por sermos especiais, não por nossas personalidades, etc..., mas somente pela graça de Deus, temos continuado a confiar, a descansar.
Meu grande amigo, pastor Marcilio, ao nos visitar ontem, disse que, ao entrar num hospital, leu em uma placa: "O IMPORTANTE NÃO É COMPREENDER, E SIM CONFIAR". No meu coração eu disse. É isto mesmo. É isto que estamos vivendo. A Clenir se lembrou que um dos grandes problemas, que inclusive levou os amigos de Jó a pecar, foi que eles estavam tentando entender. O próprio Jó, em dado momento também incorreu neste erro, até chegar ao ponto de se render e descansar completamente em Deus. Foi a primeira lição que aprendemos sobre a internação do Filipe. O caminho é o mesmo. CONFIAR. Confiar em Deus. À vocês, que são minhas ovelhas, líderes e amigos, digo que não tentem compreender, mas CONFIEM!!!!
Mas Deus queria que fôssemos um pouco mais adiante. Ele não queria que tão somente confiássemos, mas queria algo que aos olhos e ouvidos humanos é impossível, diante de tudo o que está acontecendo. Ele quer que nos ALEGREMOS. Que o exaltemos, apesar de todas as coisas. Mesmo em meio às lágrimas, como cantamos e nos emocionamos. Entendi, porque Ele requereu de nós aquele culto de sábado, o qual foi para nós também inesquecível. Na verdade não foi um culto de despedida, mas um culto de ALEGRIA, de exaltação, de adoração, de louvor. É isto que tem feito que Satanás fique tão perturbado, tão incomodado. Porque continuaremos a nos alegrar, apesar de mais esta paulada, de ver o nosso filho internado, deixando os médicos perplexos num primeiro momento. Mas, por favor!!!!!!!!!!! Não percam o foco. Isto não tem nada a ver com o fato de sermos pessoas fortes, especiais, etc,etc,etc...Mas tem a ver com o fato de que "a alegria do Senhor é a nossa força". Muito antes de nós, Habacuque já experimentara isto ao dizer: "...ainda assim, me alegrarei no Senhor". Isto é padrão para todos nós. Não é uma exceção!!! É para você que está começando o seu dia hoje!!! É para mim que daqui a pouco vou ao hospital para ver o Filipe. Para a Clenir, o Fábio, a Luana. Todos nós.
Deus tem nos falado que a verdadeira guerra espiritual, se é que estamos usando o termo corretamente, não se dá no terreno da demonstração do poder de Deus, pois Satanás sabe mais do que nós, o que Deus pode fazer. Ele pode me curar. Ele pode curar o Filipe. Ele pode abrir o mar vermelho. Ele pode ressuscitar os mortos. Ele pode fazer o que quiser, quando quiser, da forma que quiser, onde quiser. Ele é o GRANDE EU SOU!!!! A verdadeira guerra espiritual portanto, não é esta. Mas é na área da adoração, da alegria, do louvor. Foi isto que Satanás tentou ao dizer, Jó vai negá-lo quando perder todas as coisas. Habacuque vai negá-lo com a perda de todas as coisas. Os seus discípulos vão negá-lo, quando começarem a perder todas as coisas, Paulo vai negá-lo, porque depois de ter realizado tanto para o Senhor, passar por tantas aflições, aparecer este espinho na carne irremovível. Lutero vai negá-lo com a perda de tantos amigos e de todo o privilégio que desfrutava no Catolicismo de seu tempo. E, no entanto, ao invés de negarem, eles afirmavam: "Para quem iremos nós, TU tens as palavras de vida eterna", escreviam hinos: "se dor a mais forte sofrer, oh, seja o que for TU me fazes saber que feliz com Jesus sempre sou"; "Se temos de perder os filhos, bens, mulher, embora a vida vá, por nós Jesus está e dar-nos-á seu Reino". O âmago desta guerra, portanto, se dá aqui.
Um dos médicos que nos acompanha e que está nos ajudando com o Filipe disse para a Clenir. Eu não ENTENDO. Vocês não acham que já foram muito testados??? É exatamente aqui que Satanás pode lançar as suas setas. Ok. Se Deus pode, então POR QUE não age por vocês? Por que não tira o espinho da carne? Por que permite aos Romanos fazerem do sofrimento dos cristãos um circo? POR QUÊ??? POR QUÊ?. Não queremos compreender. Ele nos dirá quando quiser, se quiser, da maneira que quiser. Ele não nos deve explicação. Ele é Deus. Ele é Senhor. Ele É. O que Ele vai fazer eu não sei. Mas independente de qualquer coisa. Vamos nos alegrar NELE. Vamos celebrar o nome dEle. Vamos amá-lo. Vamos continuar a evangelizar. Vamos continuar a investir em Missões. Vamos continuar a servi-lo, enquanto vida houver.
Fiquem tranqüilos!!! Não estou delirando. O meu coração está exultante. Nem eu consigo entender. Lembrei-me que um dos últimos livros que li, escrito por Martin Loyd-Jones foi "JOY UNSPEAKABLE", ou seja, GOZO INDIZÍVEL que marcou profundamente a minha vida e a minha experiência com Deus. Embora não abrace tudo o que ele diz no livro, o qual é questionado por John Stott, mas ambos concordam com o fato de que somente uma vida cheia do Espírito Santo pode produzir o AVIVAMENTO de que necessitamos. E será o avivamento da ALEGRIA. Lloyd-Jones escreve: "Isto é o que o homem faz, quando está cheio do Espírito: Ele quer adorar a Deus, ele deseja glorificá-lO, falar aos outros sobre Ele, e glorificar a Jesus em particular". Estes são os resultados de uma vida cheia do Espírito Santo. Martin Lloyd Jones conclama, e eu me junto a ele, a conclamar a todos os crentes no Brasil e no mundo, a buscarmos o AVIVAMENTO. A enfrentar a verdadeira guerra espiritual, que não é mais a demonstração do poder de Deus, mas a adoração dos verdadeiros adoradores, que adoram o Pai em espírito e verdade, mesmo que a figueira não floresça...
Tenha um ótimo dia!!!!
"Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!!" (Fp.4.4)
Xavier
"Por isso Deus O exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai" (Fp.2.9-11)
"Aprendi o segredo de viver CONTENTE em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquEle que me fortalece" (Fp.4.12b-13)
"Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!!" (Fp.4.4)
"Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: "O SENHOR FEZ COISAS GRANDIOSAS POR ESTE POVO". Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres"
Achei que a minha palavra de segunda feira passada seria a última que lhes enviaria. Penso que formalmente foi, mas quero estar livre para compartilhar as coisas "grandes e ocultas" que o Senhor for me revelando ao longo deste processo.
Como vocês sabem, em meio a tudo o que já estamos vivendo, fomos surpreendidos com uma internação hospitalar do Filipe, pois começou inexplicavelmente a urinar sangue. Os médicos ainda não encontraram a causa, mas estão investigando. Em certo momento, enquanto chorava, impotente, pois não conseguia estar ao lado do meu querido filho nesta hora, eu disse: "- Deus, não tem problema que estas coisas aconteçam comigo, mas não com o meu filho". Eu estava muito triste, chorando nos ombros da Clenir, enquanto o Paulo Mineiro e a minha cunhada procuravam um lugar para interná-lo. Como internar um garoto de 15 anos em um hospital para adultos que não recebem adolescentes, ou num hospital de pediatria, um adolescentes com 1,84cm. Mas Deus providenciou um lugar, quebrando as regras.
Lembrei-me também da nossa luta, e mui especialmente, da Clenir, que enquanto eu estava no hospital, tinha que se dividir, embora muito bem amparada por minha cunhada, Regina, meu amigo Jimmy, e vários irmãos da igreja, tinha que se dividir entre o hospital São Lucas e a atenção à mãe dela que está com Alzeimer.
A Clenir chegou em casa ontem à noite, exausta, depois de passar a noite anterior e o dia inteiro de ontem no hospital com o Filipe e praticamente foi direto para a cama. Porém, acordamos às 2 da manhã e começamos a conversar e ela me disse coisas muito preciosas que Deus estava falando com ela, a respeito de tudo o que está acontecendo (ela irá escrever sobre isto), e que foram sendo confirmadas em meu coração.
A coisa principal é que ela disse que, de alguma forma, nós temos zombado da morte, como Paulo também o fez, ao perguntar, de modo irônico, à semelhança de Elias desafiando os profetas de Baal: _ "Onde está ó morte, o teu aguilhão???". Ou seja, você, não tem a última palavra. A última palavra é de Deus, é da ressurreição. ALELUIA!!! Consequentemente estamos zombando de Satanás. Pois, pela graça de Deus, e não por sermos especiais, não por nossas personalidades, etc..., mas somente pela graça de Deus, temos continuado a confiar, a descansar.
Meu grande amigo, pastor Marcilio, ao nos visitar ontem, disse que, ao entrar num hospital, leu em uma placa: "O IMPORTANTE NÃO É COMPREENDER, E SIM CONFIAR". No meu coração eu disse. É isto mesmo. É isto que estamos vivendo. A Clenir se lembrou que um dos grandes problemas, que inclusive levou os amigos de Jó a pecar, foi que eles estavam tentando entender. O próprio Jó, em dado momento também incorreu neste erro, até chegar ao ponto de se render e descansar completamente em Deus. Foi a primeira lição que aprendemos sobre a internação do Filipe. O caminho é o mesmo. CONFIAR. Confiar em Deus. À vocês, que são minhas ovelhas, líderes e amigos, digo que não tentem compreender, mas CONFIEM!!!!
Mas Deus queria que fôssemos um pouco mais adiante. Ele não queria que tão somente confiássemos, mas queria algo que aos olhos e ouvidos humanos é impossível, diante de tudo o que está acontecendo. Ele quer que nos ALEGREMOS. Que o exaltemos, apesar de todas as coisas. Mesmo em meio às lágrimas, como cantamos e nos emocionamos. Entendi, porque Ele requereu de nós aquele culto de sábado, o qual foi para nós também inesquecível. Na verdade não foi um culto de despedida, mas um culto de ALEGRIA, de exaltação, de adoração, de louvor. É isto que tem feito que Satanás fique tão perturbado, tão incomodado. Porque continuaremos a nos alegrar, apesar de mais esta paulada, de ver o nosso filho internado, deixando os médicos perplexos num primeiro momento. Mas, por favor!!!!!!!!!!! Não percam o foco. Isto não tem nada a ver com o fato de sermos pessoas fortes, especiais, etc,etc,etc...Mas tem a ver com o fato de que "a alegria do Senhor é a nossa força". Muito antes de nós, Habacuque já experimentara isto ao dizer: "...ainda assim, me alegrarei no Senhor". Isto é padrão para todos nós. Não é uma exceção!!! É para você que está começando o seu dia hoje!!! É para mim que daqui a pouco vou ao hospital para ver o Filipe. Para a Clenir, o Fábio, a Luana. Todos nós.
Deus tem nos falado que a verdadeira guerra espiritual, se é que estamos usando o termo corretamente, não se dá no terreno da demonstração do poder de Deus, pois Satanás sabe mais do que nós, o que Deus pode fazer. Ele pode me curar. Ele pode curar o Filipe. Ele pode abrir o mar vermelho. Ele pode ressuscitar os mortos. Ele pode fazer o que quiser, quando quiser, da forma que quiser, onde quiser. Ele é o GRANDE EU SOU!!!! A verdadeira guerra espiritual portanto, não é esta. Mas é na área da adoração, da alegria, do louvor. Foi isto que Satanás tentou ao dizer, Jó vai negá-lo quando perder todas as coisas. Habacuque vai negá-lo com a perda de todas as coisas. Os seus discípulos vão negá-lo, quando começarem a perder todas as coisas, Paulo vai negá-lo, porque depois de ter realizado tanto para o Senhor, passar por tantas aflições, aparecer este espinho na carne irremovível. Lutero vai negá-lo com a perda de tantos amigos e de todo o privilégio que desfrutava no Catolicismo de seu tempo. E, no entanto, ao invés de negarem, eles afirmavam: "Para quem iremos nós, TU tens as palavras de vida eterna", escreviam hinos: "se dor a mais forte sofrer, oh, seja o que for TU me fazes saber que feliz com Jesus sempre sou"; "Se temos de perder os filhos, bens, mulher, embora a vida vá, por nós Jesus está e dar-nos-á seu Reino". O âmago desta guerra, portanto, se dá aqui.
Um dos médicos que nos acompanha e que está nos ajudando com o Filipe disse para a Clenir. Eu não ENTENDO. Vocês não acham que já foram muito testados??? É exatamente aqui que Satanás pode lançar as suas setas. Ok. Se Deus pode, então POR QUE não age por vocês? Por que não tira o espinho da carne? Por que permite aos Romanos fazerem do sofrimento dos cristãos um circo? POR QUÊ??? POR QUÊ?. Não queremos compreender. Ele nos dirá quando quiser, se quiser, da maneira que quiser. Ele não nos deve explicação. Ele é Deus. Ele é Senhor. Ele É. O que Ele vai fazer eu não sei. Mas independente de qualquer coisa. Vamos nos alegrar NELE. Vamos celebrar o nome dEle. Vamos amá-lo. Vamos continuar a evangelizar. Vamos continuar a investir em Missões. Vamos continuar a servi-lo, enquanto vida houver.
Fiquem tranqüilos!!! Não estou delirando. O meu coração está exultante. Nem eu consigo entender. Lembrei-me que um dos últimos livros que li, escrito por Martin Loyd-Jones foi "JOY UNSPEAKABLE", ou seja, GOZO INDIZÍVEL que marcou profundamente a minha vida e a minha experiência com Deus. Embora não abrace tudo o que ele diz no livro, o qual é questionado por John Stott, mas ambos concordam com o fato de que somente uma vida cheia do Espírito Santo pode produzir o AVIVAMENTO de que necessitamos. E será o avivamento da ALEGRIA. Lloyd-Jones escreve: "Isto é o que o homem faz, quando está cheio do Espírito: Ele quer adorar a Deus, ele deseja glorificá-lO, falar aos outros sobre Ele, e glorificar a Jesus em particular". Estes são os resultados de uma vida cheia do Espírito Santo. Martin Lloyd Jones conclama, e eu me junto a ele, a conclamar a todos os crentes no Brasil e no mundo, a buscarmos o AVIVAMENTO. A enfrentar a verdadeira guerra espiritual, que não é mais a demonstração do poder de Deus, mas a adoração dos verdadeiros adoradores, que adoram o Pai em espírito e verdade, mesmo que a figueira não floresça...
Tenha um ótimo dia!!!!
"Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!!" (Fp.4.4)
Xavier
terça-feira, setembro 18, 2007
MENSAGENS PARA XAVIER (Adalto Amaral)
PASTOR MANOEL XAVIER DOS SANTOS FILHO
Queridos colegas e demais irmãos, “DEUS É MUITO BOM”.
Eu já tenho 58 anos e nasci num lar evangélico. Exerci a função pastoral por várias igrejas e continuo ativo em minha Igreja, mas nunca vivenciei algo tão tocante, inspirador e edificante como vivi no sábado próximo passado com o testemunho do Xavier se despedindo de alguns colegas no Hospital São Lucas.
Xavier foi desenganado pelos médicos e suas horas – humanamente falando – estão contadas, embora nos redamos a soberania de Deus e aos Seus propósitos e por Ele o quadro poderá ser mudado.
Éramos em torno de quinze colegas e Xavier falou-nos do que Deus era para sua vida, para sua família e para o seu Ministério. Recomendou-nos a continuarmos servindo ao Senhor como seus Ministros, pregar sua Palavra e exercermos até o fim o nosso pastorado.
Mesmo neste momento de despedida, ele sorria, contou-nos uma engraçada estória de dois irmãos crentes que gostavam muito de jogar bola – José e João – e ambos combinaram que o primeiro que morresse, ao chegar ao céu e se constatasse que lá poderiam continuar jogando desse um jeito de avisar ao que ficou na terra. José morreu e foi para o céu – pois era crente – e um belo dia João estava dormindo, quando ouviu a voz de José, chamando: João! João! Eu tenho duas boas notícias para te dar: Primeira. É que no céu podemos jogar e a Segunda. Você está escalado para o jogo de amanhã.
Pediu-nos que um de nós lesse todo o capítulo 15 de ecoar e que um outro colega orasse agradecendo a Deus pela a oportunidade daquela despedida e que cantássemos o hino Ruge Forte Contundente...
Após isto feito, ele falou-nos que sua dieta era zero, haja vista, seu estômago está fechado, pois solicitou ao médico que lhe permitisse comer, antes de morrer, um pequeno pedaço de chocolate e lhe foi autorizado e por gostar muito de chocolate, queria partilhar aquele momento conosco. Falou-nos que não era a ceia, nem misticismo ou coisa parecida, mas queria que comêssemos juntos pedaços de chocolate e assim o fizemos.
Um dos colegas presentes, em um breve testemunho, entre outras coisas, disse que o Xavier estava nos ensinando como um crente deve morrer e eu quero fazer minha estas palavras. Ele me ensinou a morrer. Daí facilitou sobre modo a difícil interpretação do salmista quando diz: “Quão preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos”.
Sua esposa, irmã Cleber, também nos deu um lindo testemunho de como Deus tem estado continuamente com eles.
No dia anterior, ele havia chamados os filhos e feito à despedida deles, assim como Jacó o fez e no próprio sábado à noite foi realizado o culto de gratidão ao Senhor pelo seu Ministério ali.
Por derradeiro, sua esposa, pediu-nos que nestas últimas horas de sua vida ele ficasse somente com a família.
Aleluia, Gloria a Deus pela vida do Xavier.
Continuemos colocando-o nas mãos de Deus e suplicando ao Espírito Santo o conforto para momentos tão difíceis que sua família, Igreja e todos nós seus irmãos e amigos.
Com carinho
Pastor Adalto Amaral
Queridos colegas e demais irmãos, “DEUS É MUITO BOM”.
Eu já tenho 58 anos e nasci num lar evangélico. Exerci a função pastoral por várias igrejas e continuo ativo em minha Igreja, mas nunca vivenciei algo tão tocante, inspirador e edificante como vivi no sábado próximo passado com o testemunho do Xavier se despedindo de alguns colegas no Hospital São Lucas.
Xavier foi desenganado pelos médicos e suas horas – humanamente falando – estão contadas, embora nos redamos a soberania de Deus e aos Seus propósitos e por Ele o quadro poderá ser mudado.
Éramos em torno de quinze colegas e Xavier falou-nos do que Deus era para sua vida, para sua família e para o seu Ministério. Recomendou-nos a continuarmos servindo ao Senhor como seus Ministros, pregar sua Palavra e exercermos até o fim o nosso pastorado.
Mesmo neste momento de despedida, ele sorria, contou-nos uma engraçada estória de dois irmãos crentes que gostavam muito de jogar bola – José e João – e ambos combinaram que o primeiro que morresse, ao chegar ao céu e se constatasse que lá poderiam continuar jogando desse um jeito de avisar ao que ficou na terra. José morreu e foi para o céu – pois era crente – e um belo dia João estava dormindo, quando ouviu a voz de José, chamando: João! João! Eu tenho duas boas notícias para te dar: Primeira. É que no céu podemos jogar e a Segunda. Você está escalado para o jogo de amanhã.
Pediu-nos que um de nós lesse todo o capítulo 15 de ecoar e que um outro colega orasse agradecendo a Deus pela a oportunidade daquela despedida e que cantássemos o hino Ruge Forte Contundente...
Após isto feito, ele falou-nos que sua dieta era zero, haja vista, seu estômago está fechado, pois solicitou ao médico que lhe permitisse comer, antes de morrer, um pequeno pedaço de chocolate e lhe foi autorizado e por gostar muito de chocolate, queria partilhar aquele momento conosco. Falou-nos que não era a ceia, nem misticismo ou coisa parecida, mas queria que comêssemos juntos pedaços de chocolate e assim o fizemos.
Um dos colegas presentes, em um breve testemunho, entre outras coisas, disse que o Xavier estava nos ensinando como um crente deve morrer e eu quero fazer minha estas palavras. Ele me ensinou a morrer. Daí facilitou sobre modo a difícil interpretação do salmista quando diz: “Quão preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos”.
Sua esposa, irmã Cleber, também nos deu um lindo testemunho de como Deus tem estado continuamente com eles.
No dia anterior, ele havia chamados os filhos e feito à despedida deles, assim como Jacó o fez e no próprio sábado à noite foi realizado o culto de gratidão ao Senhor pelo seu Ministério ali.
Por derradeiro, sua esposa, pediu-nos que nestas últimas horas de sua vida ele ficasse somente com a família.
Aleluia, Gloria a Deus pela vida do Xavier.
Continuemos colocando-o nas mãos de Deus e suplicando ao Espírito Santo o conforto para momentos tão difíceis que sua família, Igreja e todos nós seus irmãos e amigos.
Com carinho
Pastor Adalto Amaral
MENSAGEM DE XAVIER
Queridas Ovelhas Virtuais,
Caso esteja aqui ainda, durante os próximos dias..., de qualquer forma, esta é a minha última palavra a vocês, pois acredito que o meu último dia como seu pastor foi no sábado, quando tivemos um culto maravilhoso, onde pudemos contemplar a glória do Senhor, dando-nos uma pequenina amostra de como será no céu. Quando O veremos face a face.
Não se assustem. Esta pastoral não é do além. Eu a escrevi às 21 h de domingo.
Sei que posso acordar curado, mas se isto não acontecer, acredito que talvez já possa estar com o Senhor, pois começo a me sentir fraco.
Sei que posso acordar curado, mas se isto não acontecer, acredito que talvez já possa estar com o Senhor, pois começo a me sentir fraco.
Estava falando hoje à tarde com uns vizinhos, e a filha deles, de 12 anos, me disse: - "Tio, o senhor vai ficar mais perto de Deus agora não é?"
Naquele instante Deus me deu uma idéia e eu lhe disse: "Ontem, o meu cunhado e a família estavam conosco, através do msn e de uma câmara instalada no computador. Pudemos ouvir a voz deles, até ver a face..., embora eles estivessem nos Estados Unidos naquela hora; mas não podíamos abraçá-los, tocá-los."
Eu disse a ela que nosso relacionamento com Deus é mais ou menos assim. Podemos ouvi-lO, perceber a Sua presença, assim como fizemos com o meu cunhado...mas quando eles vierem, poderemos abraçá-los e tocá-los. Quando nós morremos, em Cristo, temos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente com Ele para um relacionamento ainda mais pessoal. Foi isto que Deus fez com João através do Apocalipse. Mostrou a ele, em meio ao seu sofrimento todas as coisas que ele iria experimentar. Vou experimentar todas aquelas bênçãos.
Naquele instante Deus me deu uma idéia e eu lhe disse: "Ontem, o meu cunhado e a família estavam conosco, através do msn e de uma câmara instalada no computador. Pudemos ouvir a voz deles, até ver a face..., embora eles estivessem nos Estados Unidos naquela hora; mas não podíamos abraçá-los, tocá-los."
Eu disse a ela que nosso relacionamento com Deus é mais ou menos assim. Podemos ouvi-lO, perceber a Sua presença, assim como fizemos com o meu cunhado...mas quando eles vierem, poderemos abraçá-los e tocá-los. Quando nós morremos, em Cristo, temos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente com Ele para um relacionamento ainda mais pessoal. Foi isto que Deus fez com João através do Apocalipse. Mostrou a ele, em meio ao seu sofrimento todas as coisas que ele iria experimentar. Vou experimentar todas aquelas bênçãos.
E espero encontrar cada um de vocês lá...
Com muito carinho,
Seu pastor e amigo,
Com muito carinho,
Seu pastor e amigo,
MENSAGENS PARA XAVIER (Carlos César Zeppegno)
Louvo a Deus por ser "membro" dessa turma!
PATRONO: Darci Dusilek
PARANINFO: IBA
ORADOR: Daniel de Almeida
Quanta lembrança!
Quanta saudade!
No início, éramos uns 150 "calouros" vindos de quase todos os
rincões do Brasil. De Maranhão,Bahia,Espirito Santo, Goiás, Paraiba,
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, ...
A nossa recepção foi "calorosa".Até hoje trago na memória aquela
noite no refeitório!
Ao final do curso, éramos 72.
Uma grande perda para nós foi justamente no dia 1º de dezembro de
1978. Perdemos o José Caetano da Silva Filho (ALEGRIA). Acometido de
uma anemia profunda, necessitou receber sangue. Foi-lhe dado
sangue "errado". Resultado: o nosso alegria foi para a Glória. O seu
sepultamento foi justo no dia de nossa formatura. Teve uma formatura
especial: recebeu o diploma do Pai!
Outros membros de nossa turma tb já estão com o Senhor.
Quero deixar registrado a minha gratidão por ter pertencido a essa
turma. Gratidão por ter convivido com "XAVICO" durante esses 4 anos.
O momento é de inquietação, o momento é de dar, porém não é um
momento de desespero, pois sabemos que um dia todos nós vamos estar
juntos, na Glória!
Cesar Zeppegno
PATRONO: Darci Dusilek
PARANINFO: IBA
ORADOR: Daniel de Almeida
Quanta lembrança!
Quanta saudade!
No início, éramos uns 150 "calouros" vindos de quase todos os
rincões do Brasil. De Maranhão,Bahia,Espirito Santo, Goiás, Paraiba,
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, ...
A nossa recepção foi "calorosa".Até hoje trago na memória aquela
noite no refeitório!
Ao final do curso, éramos 72.
Uma grande perda para nós foi justamente no dia 1º de dezembro de
1978. Perdemos o José Caetano da Silva Filho (ALEGRIA). Acometido de
uma anemia profunda, necessitou receber sangue. Foi-lhe dado
sangue "errado". Resultado: o nosso alegria foi para a Glória. O seu
sepultamento foi justo no dia de nossa formatura. Teve uma formatura
especial: recebeu o diploma do Pai!
Outros membros de nossa turma tb já estão com o Senhor.
Quero deixar registrado a minha gratidão por ter pertencido a essa
turma. Gratidão por ter convivido com "XAVICO" durante esses 4 anos.
O momento é de inquietação, o momento é de dar, porém não é um
momento de desespero, pois sabemos que um dia todos nós vamos estar
juntos, na Glória!
Cesar Zeppegno
MENSAGENS PARA XAVIER (Norton Riker Lages)
GO DOWN DEATH
de James Weldon Johnson
"Weep not, weep not,
She is not dead;
She's resting in the bosom of Jesus.
Heart-broken husband--weep no more;
Grief-stricken son--weep no more;
Left-lonesome daughter--weep no more;
She's only just gone home.
Day before yesterday morning,
God was looking down from his great, high heaven,
Looking down on all his children,
And his eye fell on Sister Caroline,
Tossing on her bed of pain.
And God's big heart was touched with pity,
With the everlasting pity.
And God sat back on his throne,
And he commanded that tall, bright angel standing at
his right hand:
Call me Death!
And that tall, bright angel cried in a voice
That broke like a clap of thunder:
Call Death!--Call Death!
And the echo sounded down the streets of heaven
Till it reached away back to that shadowy place,
Where Death waits with his pale, white horses.
And Death heard the summons,
And he leaped on his fastest horse,
Pale as a sheet in the moonlight.
Up the golden street Death galloped,
And the hoofs of his horse struck fire from the gold,
But they didn't make a sound.
Up Death rode to the Great White Throne,
And waited for God's command.
And God said: Go down, Death, go down,
Go down to Savannah, Georgia,
Down in Yamacraw,
And find Sister Caroline.
She's borne the burden and heat of the day,
She's labored long in my vineyeard,
And she's tired--
She's weary--
Go down, Death, and bring her to me.
And Death didn't say a word,
But he loosed the reins on his pale, white horse,
And he clamped the spurs to his boodless sides,
And out and down he rode,
Through heaven's pearly gates,
Past suns and moons and stars;
On Death rode,
Leaving the lightning's flash behind;
Straight down he came.
While we were watching round her bed,
She turned her eyes and looked away,
She saw what we couldn't see;
She saw Old Death. She saw Old Death
Coming like a falling star.
But Death didn't frighten Sister Caroline;
He looked to her like a welcome friend.
And she whispered to us: I'm going home,
And she smiled and closed her eyes.
And Death took her up like a baby,
And she lay in his icy arms,
But she didn't feel no chill.
And Death began to ride again--
Up beyond the evening star,
Out beyond the morning star,
Into the glittering light of glory,
On to the Great White Throne,
And there he laid Sister Caroline
On the loving breast of Jesus.
And Jesus took his own hand and wiped away her tears,
And he smoothed the furrows from her face,
And the angels sang a little song,
And Jesus rocked her in his arms,
And kept a-saying:
Take your rest,
Take your rest, take your rest.
Weep not--weep not,
She is not dead;
She's resting on the bosom of Jesus.
Deus os abençoe,
Norton Lages
Xavier, 18,9 (manhã)
Passei parte da manhã do dia 18.9 (terça) com o Xavier.
Estava assentado numa cadeira de balanço na sala. Voz firme, mente ativa, cabeça erguida.
Foi uma inspiração mais uma vez.
Ele me autorizou a escrever o que eu quiser, exceto elogiá-lo. Prometi que não o elogiaria, exceto nas situações em que ele não ficasse sabendo...
Para manter informada numa imensa comunidade de amigos e irmãos, postarei aqui informações que for tendo.
ISRAEL
Estava assentado numa cadeira de balanço na sala. Voz firme, mente ativa, cabeça erguida.
Foi uma inspiração mais uma vez.
Ele me autorizou a escrever o que eu quiser, exceto elogiá-lo. Prometi que não o elogiaria, exceto nas situações em que ele não ficasse sabendo...
Para manter informada numa imensa comunidade de amigos e irmãos, postarei aqui informações que for tendo.
ISRAEL
domingo, setembro 16, 2007
XAVIER, UM EXEMPLO COMPLETO
UM EXEMPLO COMPLETO
Preciso narrar, no contexto da vida do Pr. Manuel XAVIER dos Santos Filho, o dia 15 de Setembro (sábado) de 2007.
Neste dia ele começou a se despedir. Na verdade, as despedidas começaram no dia 14 (sexta). Na verdade mesmo, as despedidas tiveram início há um ano e meio, quando o diagnóstico de câncer foi desvelado. Ele sempre pediu a Deus que lhe desse o privilégio de se despedir. A viagem que fez ao sul do país, onde começou o seu ministério pastoral, tivera já a mesma intenção. Assim se despedindo pregou à Assembléia da Convenção Batista Brasileira em Florianópolis (SC).
As duas últimas semanas foram intensas, no corpo e na alma. Os médicos decidiram fazer mais uma cirurgia, mas verificaram que o tumor tinha crescido muito e nada mais podia ser feito. Aos poucos foi ficando clara a percepção de que o desfecho se aproximava.
Na sexta-feira (14), depois de reunir a família, Xavier convocou a liderança da sua igreja (a Igreja Batista Memorial da Tijuca) para um encontro no seu quarto no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro. No sábado, foi a vez dos amigos pastores.
Por volta das 10h30minutos, entraram os pastores no quarto 701. Ele agradeceu as presenças amigas e depois estimulou-os a permanecerem fiéis às suas vocações. Pediu que fossem lidos os 58 versículos do capítulo 15 de Coríntios e cantado o hino dos pastores ("Olhando para Cristo" ["Ruge forte contundente"...]), de João Filson Soren. Depois de uma oração, ele distribuiu chocolate para todos, como uma lembrança ("não é a Ceia do Senhor, não"-- disse) da bondade de Jesus.
Os presentes são testemunhas de que Xavier e Clenir tornaram aqueles momentos em inesquecíveis, porque todos, achando que foram edificar, saíram edificados.
O mesmo aconteceu à noite. O tempo, construído sob a sua liderança, estava cheio. Todo o culto, conduzido pela ministra de música da Igreja, Jilza Feitosa de Araújo, se compôs de cânticos e orações. Ao final, a esposa Clenir falou e, por fim, falou Xavier, em pé, por vários minutos, falando de sua gratidão a Deus por lhe permitir despedir-se dos seus amigos e desafiando ao reconhecimento de Jesus como Salvador e Senhor. Enquanto a Igreja cantava, ele se retirou para sua casa.
Até aqui narrei.
Agora, digo mais.
As palavras e os gestos de Clenir e Xavier facilitaram as coisas para os presentes. Houve emoção, mas não comoção. O palco foi mesmo ocupado, como queriam, por Jesus Cristo, o Rei dos reis.
Em resumo, Xavier disse que não desistiu de viver, mas está pronto para morrer. (A propósito, um de seus amigos disse que, com Xavier, aprendeu a viver e também a morrer.) Ele ainda ora para ser curado, mas está preparado para partir. Preparado e grato.
Momentos como estes só mesmo o Deus do Xavier (e nosso, graças e glórias a Ele) pode nos permitir fruir.
Ao final da noite, Xavier saiu da casa de Deus, para a sua casa familiar, esperando a hora da provável partida para a Casa definitiva.
Termino com uma frase, que ele detestaria ler: Xavier, você é um exemplo na vida e um exemplo na morte.
Então,
Que o Senhor te abençoe e te guarde, Xavier,
nesta hora anunciada como de morrer.
Que o Senhor sobre sua família e sobre você
faça o rosto dEle plenamente resplandecer.
Que o Senhor com sua imensa graça e poder
faça sobre você Sua bela face incandescer
e a paz-que-excede completamente te dê.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2007.
Preciso narrar, no contexto da vida do Pr. Manuel XAVIER dos Santos Filho, o dia 15 de Setembro (sábado) de 2007.
Neste dia ele começou a se despedir. Na verdade, as despedidas começaram no dia 14 (sexta). Na verdade mesmo, as despedidas tiveram início há um ano e meio, quando o diagnóstico de câncer foi desvelado. Ele sempre pediu a Deus que lhe desse o privilégio de se despedir. A viagem que fez ao sul do país, onde começou o seu ministério pastoral, tivera já a mesma intenção. Assim se despedindo pregou à Assembléia da Convenção Batista Brasileira em Florianópolis (SC).
As duas últimas semanas foram intensas, no corpo e na alma. Os médicos decidiram fazer mais uma cirurgia, mas verificaram que o tumor tinha crescido muito e nada mais podia ser feito. Aos poucos foi ficando clara a percepção de que o desfecho se aproximava.
Na sexta-feira (14), depois de reunir a família, Xavier convocou a liderança da sua igreja (a Igreja Batista Memorial da Tijuca) para um encontro no seu quarto no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro. No sábado, foi a vez dos amigos pastores.
Por volta das 10h30minutos, entraram os pastores no quarto 701. Ele agradeceu as presenças amigas e depois estimulou-os a permanecerem fiéis às suas vocações. Pediu que fossem lidos os 58 versículos do capítulo 15 de Coríntios e cantado o hino dos pastores ("Olhando para Cristo" ["Ruge forte contundente"...]), de João Filson Soren. Depois de uma oração, ele distribuiu chocolate para todos, como uma lembrança ("não é a Ceia do Senhor, não"-- disse) da bondade de Jesus.
Os presentes são testemunhas de que Xavier e Clenir tornaram aqueles momentos em inesquecíveis, porque todos, achando que foram edificar, saíram edificados.
O mesmo aconteceu à noite. O tempo, construído sob a sua liderança, estava cheio. Todo o culto, conduzido pela ministra de música da Igreja, Jilza Feitosa de Araújo, se compôs de cânticos e orações. Ao final, a esposa Clenir falou e, por fim, falou Xavier, em pé, por vários minutos, falando de sua gratidão a Deus por lhe permitir despedir-se dos seus amigos e desafiando ao reconhecimento de Jesus como Salvador e Senhor. Enquanto a Igreja cantava, ele se retirou para sua casa.
Até aqui narrei.
Agora, digo mais.
As palavras e os gestos de Clenir e Xavier facilitaram as coisas para os presentes. Houve emoção, mas não comoção. O palco foi mesmo ocupado, como queriam, por Jesus Cristo, o Rei dos reis.
Em resumo, Xavier disse que não desistiu de viver, mas está pronto para morrer. (A propósito, um de seus amigos disse que, com Xavier, aprendeu a viver e também a morrer.) Ele ainda ora para ser curado, mas está preparado para partir. Preparado e grato.
Momentos como estes só mesmo o Deus do Xavier (e nosso, graças e glórias a Ele) pode nos permitir fruir.
Ao final da noite, Xavier saiu da casa de Deus, para a sua casa familiar, esperando a hora da provável partida para a Casa definitiva.
Termino com uma frase, que ele detestaria ler: Xavier, você é um exemplo na vida e um exemplo na morte.
Então,
Que o Senhor te abençoe e te guarde, Xavier,
nesta hora anunciada como de morrer.
Que o Senhor sobre sua família e sobre você
faça o rosto dEle plenamente resplandecer.
Que o Senhor com sua imensa graça e poder
faça sobre você Sua bela face incandescer
e a paz-que-excede completamente te dê.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2007.
sexta-feira, agosto 17, 2007
PERDI UM AMIGO
Em memória de Darci Dusilek (1943-2007)
PERDI UM AMIGO
o que perdi foi:
um amigo de quem solitário fiquei
um amigo por cujas mãos a escada do saber escalei
e, se não fui mais alto, foi porque devidamente não escutei
um amigo de muito tempo de ter deixei
um amigo por cuja separação transitória um dia chorei
e cuja partida agora para sempre por toda a vida eu sofrerei
um amigo com quem longas conversas travei
um amigo com quem muitos sonhos partilhei
os quais aguilhoado e desolado não mais realizarei
um amigo que está com o maior Amigo, eu sei,
cantando diante da Sua beleza, como também cantarei
aprendendo muito ainda, como também muito aprenderei
um amigo a quem não mais abraçarei
um amigo com quem não me preocuparei
agora que está face a face com O amoroso Rei
e por cuja vida na minha vida sempre agradecerei
Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2007.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
PERDI UM AMIGO
o que perdi foi:
um amigo de quem solitário fiquei
um amigo por cujas mãos a escada do saber escalei
e, se não fui mais alto, foi porque devidamente não escutei
um amigo de muito tempo de ter deixei
um amigo por cuja separação transitória um dia chorei
e cuja partida agora para sempre por toda a vida eu sofrerei
um amigo com quem longas conversas travei
um amigo com quem muitos sonhos partilhei
os quais aguilhoado e desolado não mais realizarei
um amigo que está com o maior Amigo, eu sei,
cantando diante da Sua beleza, como também cantarei
aprendendo muito ainda, como também muito aprenderei
um amigo a quem não mais abraçarei
um amigo com quem não me preocuparei
agora que está face a face com O amoroso Rei
e por cuja vida na minha vida sempre agradecerei
Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2007.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
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